MPF quer impedir transferência de lixo radioativo em Angra dos Reis

A proposta é isolar esse material em 75 cilindros metálicos, protegidos por camadas de concreto e aço, e armazená-los em uma área externa das usinas

Stéfano Salles e Jairo Nascimento, da CNN, no Rio de Janeiro

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Uma ação do Ministério Público Federal (MPF) pretende impedir a transferência de lixo atômico das usinas nucleares de Angra 1 e Angra 2 para um novo depósito, aberto, dentro do complexo das usinas nucleares. Atualmente, o material, urânio enriquecido, de alta radiação, fica armazenado em duas piscinas de rejeitos situadas ao lado do reator, área mais reforçada da estrutura. No entanto, essas piscinas, que armazenam o material desde a inauguração das usinas, chegarão ao limite de suas capacidades em 2021. Segundo especialistas, o material pode ser reciclado.

A proposta é isolar esse material em 75 cilindros metálicos, protegidos por camadas de concreto e aço, e armazená-los em uma área externa das usinas, mas ainda dentro do complexo nuclear de Angra dos Reis, em área aberta. Essa transferência já começaria a partir da próxima semana.

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A Usina Nuclear Angra 2
A Usina Nuclear Angra 2
Foto: Divulgação/Eletrobras

A ação foi movida pela procurador Igor Miranda. Ele afirma que o licenciamento ambiental é inadequado, pois “não foi feito sequer um estudo de impacto ambiental, não houve audiências públicas, não houve contrapartidas sociais, absolutamente nada.

É uma obra de alto risco ambiental, uma estrutura dessas não deveria sequer ficar perto da usina, porque um acidente nela pode ser potencializado pela presença da usina, e o contrário também é verdade. Se acontecer algo errado ali, é Chernobyl ou Fukushima”.

Mestre em Engenharia Nuclear, Luiz Pinguelli Rosa critica, em entrevista à CNN, a ideia de deixar o material exposto, em área aberta. “O descarte desse produto é um problema mundial, e não há consenso sobre isso. Eu penso que o ideal seria construir uma nova estrutura, muito protegida e reforçada, como a área do reator da usina. Com a fissão, ainda há urânio, mas há várias outras substâncias, muitos fragmentos radioativos extremamente perigosos”.

Por nota, a prefeitura de Angra dos Reis não foi notificada. A Eletronuclear afirmou que não recebeu notificação judicial, que pretende fazer a instalação de 15 cilindros e não 75, como diz a ação, e está “em conformidade com todas as condicionantes das licenças de implementação”.

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