Negros são maioria das vítimas de operações policiais em 5 estados, diz estudo

Bahia, Ceará, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo somaram no ano passado um total de 3.489 mortos pela polícia

Thayana Araújo e Elis Barreto, da CNN, no RJ

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Os negros são a maioria dos mortos em operações policiais em pelo menos cinco estados brasileiros. De acordo com o novo relatório da Rede de Observatório da Segurança, divulgado nesta quarta-feira (9), os estados da Bahia, Ceará, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo somaram no ano passado um total de 3.489 mortos pela polícia. Desses estados, o Rio de Janeiro está em primeiro lugar no total de vítimas, com 1.814 óbitos, o maior número dos últimos 30 anos. Segundo o levantamento, 86% das mortes foram de pessoas negras no estado.

Os dados foram obtidos via Lei de Acesso à Informação diretamente com as secretarias de segurança de cada estado. O processo foi longo até que todas as informações fossem checadas e os números comparados com as informações sobre cor das populações de cada estado no censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A Bahia apresenta o maior percentual de negros mortos pela polícia: 97% dos mortos em ações policiais são negros. 

Em todos os estados analisados, a proporção de negros mortos em operações policiais é maior que a proporção da população negra do próprio estado. Ou seja, mesmo sendo minoria residente, pretos e pardos são a maioria das vítimas. 

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No Ceará, 77% dos casos não têm registro de cor, ainda assim, o percentual de negros mortos é de 87% – maior que o do RJ. Em São Paulo, “a polícia parece ter carta branca para matar”, nas palavras dos próprios pesquisadores. Mesmo com a diminuição do número geral de homicídios, existe um crescimento de mortes em ações policiais e o estado chega a registrar 63% de negros entre os óbitos – a população negra representa 34%. 

Silvia Ramos, coordenadora da Rede de Observatórios da Segurança e do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania destaca o crime de racismo nessas ações. “É a primeira vez que é feita uma investigação como esta. Com esses dados podemos mostrar que não é um viés racial, não é excesso de uso da força, não é violência policial letal acima do tolerado, é racismo. Quando analisamos a violência policial nós não conseguimos contabilizar abordagens violentas, espancamentos, humilhações do dia a dia, mas conseguimos contar os corpos empilhados nessas ações”, explicou.

Em nota, a Polícia Militar do Rio de Janeiro informou que “a política de segurança do Governo do Estado do Rio de Janeiro é baseada em inteligência, investigação e tecnologia das polícias Civil e Militar.” E que “as operações realizadas para localizar criminosos e apreender armas e drogas são pautadas por informações da área de inteligência e seguem, rigorosamente, as determinações legais, priorizando sempre a preservação de vidas, tanto de policiais quanto dos cidadãos.”

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