Delegado-geral da Polícia Civil de AL investigado pela PF é afastado

Decisão da 16ª Vara Federal da Paraíba afastou Gustavo Xavier por 60 dias em investigação sobre suposto esquema de fraudes em concursos

Gabriela Bento, colaboração para a CNN Brasil, do Recife
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O delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier, foi afastado do cargo por decisão da Justiça Federal. Em resposta, o governo do Estado designou o delegado Thales Silva Araújo para assumir a função. A nomeação foi formalizada por decreto publicado no Diário Oficial do Estado na segunda-feira (13).

Até então à frente da Dinpol (Diretoria de Inteligência Policial), Thales passa a comandar a corporação. O afastamento de Gustavo foi determinado no último dia 30 de março pela juíza Cristiane Lage, da 16ª Vara Federal da Paraíba, após pedido da Polícia Federal. A medida tem prazo de 60 dias e, segundo a decisão, busca evitar possíveis interferências na apuração.

Em nota, o governo de Alagoas informou que a substituição atende à determinação judicial e destacou a preservação dos princípios da ampla defesa e da presunção de inocência. A gestão estadual afirmou ainda que colabora com as investigações e mantém o funcionamento regular dos serviços da Polícia Civil.

Gustavo Xavier é investigado pela Polícia Federal no âmbito da Operação Concorrência Simulada, deflagrada em março, que apura um esquema de fraudes em concursos públicos no Nordeste.

A investigação teve início na Paraíba, onde estariam concentrados núcleos do grupo, especialmente na cidade de Patos. Segundo a PF, o esquema envolvia o acesso antecipado a provas e gabaritos, com o envio de respostas a candidatos mediante pagamento.

Xavier também foi alvo de mandado de busca e apreensão em 17 de março, durante operação realizada na Paraíba, em Pernambuco e em Alagoas. Seu nome aparece na apuração a partir de relatos de investigados e de interceptações telefônicas analisadas pela Polícia Federal.

De acordo com a decisão judicial, há suspeitas de que o delegado teria atuado para influenciar integrantes do grupo investigado. As condutas ainda são apuradas.

A reportagem tentou contato com a defesa de Gustavo Xavier, mas ainda não obteve resposta. O espaço segue aberto.