Acusados de assassinar Mãe Bernadete enfrentam júri popular em Salvador
Acusados de assassinar Mãe Bernadete enfrentam júri popular em Salvador

Dois homens acusados de envolvimento no assassinato da ialorixá e liderança quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira, conhecida como Mãe Bernadete, enfrentam júri popular nesta terça-feira (24).
A sessão teve início às 8h, no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador. No banco dos réus estão o homem apontado pelo MPBA (Ministério Público da Bahia) como mandante do homicídio e um dos suspeitos de executar o crime. Mãe Bernadete era uma das principais vozes na defesa dos direitos das comunidades quilombolas na Bahia.
De acordo com o Ministério Público, Marílio dos Santos, apontado como mandante do assassinato e chefe do tráfico de drogas na região, e Arielson da Conceição Santos, indicado como um dos executores, vão a julgamento por homicídio qualificado. Conforme a denúncia do MP, o crime teria sido cometido por motivo torpe, com emprego de meio cruel, recurso que impossibilitou a defesa da vítima e uso de arma de fogo de uso restrito. Além da acusação de homicídio, Arielson também responderá pelo crime de roubo.
O assassinato ocorreu na noite de 17 de agosto de 2023, na sede do Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador (RMS). Mãe Bernadete estava em casa quando o imóvel foi invadido por homens armados. Ela foi atingida por 25 disparos de arma de fogo e morreu no local.
No momento do crime, três netos da ialorixá também estavam na residência. As crianças foram retiradas da sala antes dos disparos e não sofreram agressões físicas.
As investigações integram a Operação Pacific, conduzida pela Polícia Civil com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas, Gaeco, do Ministério Público, e da 7ª Promotoria de Justiça de Simões Filho.
De acordo com o inquérito policial, o homicídio teria sido motivado pela oposição firme da líder religiosa à atuação do tráfico de drogas no território quilombola e pela retirada de uma barraca atribuída ao mandante, que, de acordo com a investigação, era utilizada para a venda de entorpecentes.
Outros três denunciados, Sérgio Ferreira de Jesus, Josevan Dionísio dos Santos e Ydney Carlos dos Santos de Jesus, ainda não serão julgados e devem enfrentar o Tribunal do Júri em data posterior.
Advogado da família de Mãe Bernadete na acusação, o criminalista Hédio Silva Jr. afirma que o conjunto de provas reunido ao longo da investigação é consistente. Segundo ele, há evidências materiais coletadas logo após o crime e elementos obtidos por meio do rastreamento de mensagens e de interceptações de telefones roubados na comunidade. Para a acusação, trata-se de um crime com múltiplas qualificadoras, o que pode resultar em penas superiores a 35 anos de prisão.
A CNN Brasil tenta localizar os advogados dos réus.

