Vereadora denuncia estupros e maus-tratos em abrigos no interior da BA

Prefeitura de Vitória da Conquista fala em atendimento adequado para crianças vítimas das violências

Camila Tíssia, da CNN, Salvador
As casas de acolhimento são geridas pela Prefeitura de Vitória da Conquista
As casas de acolhimento são geridas pela Prefeitura de Vitória da Conquista  • Reprodução
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Denúncias de estupro, maus-tratos e violência contra crianças e adolescentes em dois abrigos no interior da Bahia se tornaram público nessa quarta-feira (20). As casas de acolhimento são geridas pela Prefeitura de Vitória da Conquista, que tem como atual prefeita Sheila Lemos Andrade, do União Brasil.

A vereadora Márcia Viviane (PT) utilizou o pronunciamento, durante sessão da Câmara Municipal, criticar o poder público e apontar casos de abuso sexual, negligência e consumo de drogas dentro das unidades.

Enquanto os relatos citam problemas em duas casas de acolhimento, o governo municipal reconheceu para a reportagem da CNN que investiga apenas uma delas.

Segundo o discurso da vereadora, pelo menos sete crianças foram vítimas de estupro de vulnerável dentro dos abrigos, incluindo uma menina de apenas 3 anos. Há registros também de ameaças com arma branca, agressões físicas, consumo de drogas, negligência e fugas em massa. Documentos revelam que a Prefeitura teria sido informada da situação há mais de um ano, sem interferir no cenário.

“Essa omissão fere a Constituição e o Estatuto da Criança e do Adolescente. Já acionamos o Ministério Público, a Defensoria, o Conselho Tutelar e o Conselho de Direitos da Criança e do Adolescente. Vamos cobrar em todas as instâncias a interdição dos abrigos e a realocação das crianças. Saber que nenhuma medida foi tomada pela Prefeitura me deixa chocada. É um caso de total violação dos direitos humanos”, disse a parlamentar.

Por outro lado, a Prefeitura de Vitória da Conquista afirmou que já investigava as denúncias antes mesmo da repercussão pública. Segundo a gestão municipal, órgãos como Polícia Civil, Ministério Público, Vara da Infância e Conselhos Tutelares foram comunicados, e as medidas cabíveis teriam sido adotadas. O caso foi também encaminhado à Corregedoria-Geral do Município.

Em nota enviada à CNN, a secretária de comunicação de Vitória da Conquista, Daniella Oliveira, disse que as crianças passaram por escuta especializada, atendimento em saúde e acompanhamento psicológico adequado.

"As ações seguiram as diretrizes previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente para evitar a exposição das vítimas, ainda que os nomes e as imagens sejam preservados, e a revitimização indireta, que são as consequências da violência sofrida. O tema exige a máxima cautela e responsabilidade", escreveu.

A gestão municipal não citou se algum servidor foi afastado ou está sendo investigado. Mas acrescentou ainda que os abrigos continuam funcionando normalmente.

O Ministério Público e a Defensoria Pública da Bahia foram questionados sobre a formalização da denúncia, mas não se manifestaram até a última atualização desta reportagem.