"Nunca será a vilã", diz veterinária sobre leoa que matou jovem na Paraíba
Em relato publicado nas redes sociais, profissional define Leona como "amada e querida"; parque ficará fechado até o fim das investigações
A veterinária Melanie Leite, que trabalha no Parque Zoobotânico Arruda Câmara, conhecido como Bica, saiu em defesa da leoa que matou um jovem após ele invadir sua jaula neste domingo (30), em João Pessoa, na Paraíba.
Nas publicação, a profissional diz que é completamente apaixonada por Leona e pela equipe técnica que cuida do animal e de todas as espécies do zoológico.
Melanie diz que a leoa é amada e querida por todos os que trabalham no Parque da Bica, incluindo veterinários, biólogos e tratadores.
A veterinária conta que Leona é bem cuidada, condicionada e treinada. "Espero que com esse vídeo, dê para sentir", escreve Melanie.
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Ela ainda faz um apelo para que as pessoas deem apoio ao zoológico e aos profissionais que trabalham nele.
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Relembre o caso
Um jovem morreu na manhã de domingo (30), no Parque Zoobotânico Arruda Câmara, conhecido como Bica, em João Pessoa (PB), após invadir o recinto da leoa Leona. A vítima, identificada como Gerson de Melo Machado, de 19 anos, veio a óbito em decorrência dos ferimentos causados pelo ataque do animal.
A administração municipal confirmou que o homem invadiu o cercado de forma deliberada após escalar as estruturas de segurança e grades. O parque foi imediatamente fechado para a remoção do corpo e a apuração dos fatos, que está a cargo da Semam (Secretaria de Meio Ambiente).
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Gerson de Melo Machado era conhecido como "Vaqueirinho de Mangabeira". O jovem possuía transtornos mentais e, desde a adolescência, acumulava registros policiais, totalizando 16 ocorrências, sendo 10 delas quando menor de idade.
Ele estava em liberdade desde a sexta-feira (28). A conselheira tutelar Verônica Oliveira, que o acompanhou por anos, relatou que ele chegou a ser encaminhado ao CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), mas fugiu do local.
O recinto do animal possui uma parede de mais de 6 metros. O invasor escalou essa estrutura, ultrapassou as grades e acessou uma árvore para entrar no espaço da leoa.
O parque informou que o recinto atende e ultrapassa todas as medidas de segurança necessárias, seguindo a instrução normativa do IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). As barreiras excedem o exigido em mais de 2 metros e contam com uma borda negativa de 1,5 metro.
Após o incidente, o felino foi reconduzido ao seu ambiente sem o uso de dardos tranquilizantes ou armas de fogo.
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Profissionais do parque relataram que a Leona é um animal condicionado, submetido a treinamentos graduais e anuais, o que permitiu que ela obedecesse ao comando de retorno. No entanto, o animal demonstrou alto nível de estresse e choque, o que resultou em uma demora para a recondução.
Em nota, o parque ainda reforçou que em nenhum momento considerou a possibilidade de eutanásia no animal.
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"Leona continuará recebendo todos os cuidados necessários. Após o incidente, ela foi imediatamente avaliada pela equipe técnica e segue em observação e acompanhamento contínuo, já que passou por um nível elevado de estresse", afirma a administração.
O Parque Zoobotânico Arruda Câmara (Bica) permanecerá fechado para visitas até o fim das investigações. A Semam iniciou a apuração das circunstâncias do fato e está colaborando com as autoridades competentes.
A prefeitura de João Pessoa manifestou solidariedade à família da vítima e esclareceu que, apesar de toda a segurança existente, a invasão foi insistente, culminando no episódio lamentável.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo


