Júri condena mulher a 142 anos por chacina encomendada em Pernambuco
O crime ocorreu em 2015 em Poção, no Agreste de Pernambuco, e resultou na morte de três conselheiros tutelares e da avó materna de uma criança de três anos, única sobrevivente do ataque

Mais dois réus da chamada Chacina de Poção foram condenados, na madrugada do sábado (7), às 2h, na 4ª Vara do Tribunal do Júri da Capital. Bernadete de Lourdes Britto Siqueira Rocha foi sentenciada a 142 anos, cinco meses e 16 dias de reclusão. Ela é apontada nos autos como a mandante do crime, que resultou na morte de uma idosa e de três conselheiros tutelares de Poção.
De acordo com informações do TJPE (Tribunal de Justiça de Pernambuco), José Vicente Pereira Cardoso da Silva, ex-diretor da Penitenciária de Arcoverde e articulador do ataque, recebeu 67 anos, três meses e oito dias de reclusão. Por ter mais de 70 anos, sua pena foi reduzida pela metade. A defesa dele já interpôs recurso em plenário.
O julgamento começou na última quarta-feira (4) e se estendeu até a madrugada deste sábado. Durante o período, o Conselho de Sentença ouviu testemunhas de defesa e o delegado Erick Lessa, realizou o interrogatório dos réus e recebeu as alegações finais do Ministério Público e da defesa. Cada etapa serviu para apresentar provas, esclarecer detalhes do crime e permitir que os réus se manifestassem antes da decisão dos jurados.
O crime
O episódio é considerado um dos mais graves homicídios em série do interior de Pernambuco. Segundo os autos do processo, a chacina foi planejada para eliminar a família materna de Ana Cláudia Venâncio de Britto Siqueira e garantir a guarda da criança.
O ataque ocorreu em 6 de fevereiro de 2015, no Sítio Cafundó, zona rural de Poção, no Agreste de Pernambuco. Um grupo de extermínio interceptou o carro do Conselho Tutelar em uma emboscada e efetuou cinco disparos que mataram quatro pessoas. As vítimas foram três conselheiros tutelares, José Daniel Farias Monteiro, Lindenberg Nóbrega de Vasconcelos e Carmem Lúcia da Silva, e a avó materna da criança, Ana Rita Venâncio. A única sobrevivente foi Ana Cláudia, então com três anos de idade.
Segundo a denúncia, Bernadete Siqueira teria encomendado o crime para garantir a guarda da criança, contratando o grupo de extermínio para eliminar a família materna. Ao todo, oito pessoas foram denunciadas pelo caso.
O júri
O Conselho de Sentença foi formado por seis mulheres e um homem. O julgamento começou com a leitura da denúncia e o depoimento do delegado Erick Lessa, que respondeu a perguntas da juíza, da defesa e do Ministério Público. Na quinta-feira, três testemunhas de defesa foram ouvidas por videoconferência, vindas de Arcoverde. Também foram realizados os interrogatórios dos réus.
Na sexta-feira, Ministério Público e defesa apresentaram as alegações finais, cada órgão com duas horas e meia para expor seus argumentos. Em seguida, ocorreram réplica e tréplica, com duas horas para cada parte. No sábado, o Conselho de Sentença deliberou sobre os acusados e a juíza Maria Segunda Gomes realizou a dosimetria das penas em plenário.
Outros réus já julgados
Outros envolvidos na chacina já haviam sido condenados em julgamentos anteriores. Em dezembro de 2025, Egon Augusto Nunes de Oliveira e Orivaldo Godê de Oliveira receberam 101 anos e quatro meses de reclusão cada, enquanto Ednaldo Afonso da Silva foi sentenciado a 12 anos e seis meses pelo homicídio simples de Lindenberg Nóbrega de Vasconcelos, sendo absolvido dos demais homicídios.
Em fevereiro de 2024, Wellington Silvestre dos Santos recebeu 74 anos e oito meses de reclusão pelo homicídio qualificado das quatro vítimas. O julgamento de Leandro José da Silva, que seria realizado junto com Bernadete e José Vicente, foi adiado a pedido da defesa, e a nova data ainda será designada.


