MEC destina recursos para construção de novo prédio na UFPE após incêndio
Ministério também irá investir em materiais laboratoriais, extensão do período de bolsas de mestrado e doutorado e finalização de duas obras de núcleos acadêmicos
O MEC (Ministério da Educação) informou, nesta quinta-feira (8), que irá destinar recursos do Governo Federal para a construção de um novo prédio na UFPE (Universidade Federal de Pernambuco). A medida ocorre após um incêndio no setor de laboratórios no Campus Recife destruir mais de R$100 milhões em equipamentos de pesquisa, segundo o reitor da Universidade.
Além da construção do edifício, o ministério também irá investir em materiais laboratoriais, extensão do período de bolsas de mestrado e doutorado, inclusão de pesquisadores no Pdse (Programa de Doutorado-Sanduíche no Exterior) e finalização de duas obras de núcleos acadêmicos.
A PF (Polícia Federal) informou que já instaurou um inquérito policial para investigar as causas e as circunstâncias que levaram ao incêndio.
O incêndio iniciou na noite de quarta-feira (7) e atingiu um prédio multiuso da UFPE, onde ficavam armazenados laboratórios na área de fármacos, informática e genética. Na ocasião, ninguém ficou ferido.
Entenda: Incêndio de grandes proporções atinge prédio da UFPE em Pernambuco
O ministro da Educação Leonardo Barchini informou que os pesquisadores poderão continuar seus estudos no exterior, em laboratórios na Alemanha, nos Estados Unidos o na França, países que já se comprometeram a apoiar a UFPE. Professores com via de pós-doutorado também serão acolhidos.
O prédio que faz parte do Cin (Centro de Informática) e a nova sede do Nupit - SG (Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica - Suely Galdino), que estavam em construção desde 2025 com um orçamento de R$12 milhões, também serão continuados.
Investigação por drones
O delegado da PF, Rodrigo Bastos, também divulgou como funcionará o curso das investigações sobre o incêndio. Serão adotados robôs e drones para um primeiro registro da área afetada, além de reforço do Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília, que auxiliarão nas apurações.
Haverá a reconstituição da dinâmicas dos fatos que resultaram no incêndio para tentar identificar o que deu início às chamas.
AGU oferece suporte jurídico
Em nota, a AGU (Advocacia-Geral da União) informou que criou uma força-tarefa de Acompanhamento Jurídico e Gestão de Crise para prestar suporte jurídico prioritário à UFPE (Universidade Federal de Pernambuco). A força-tarefa acompanhará as apurações e fará a interlocução com os órgãos de persecução penal.
A medida foi estabelecida pela Portaria Normativa da Procuradoria Geral Federal (PGF/AGU nº 100) e foi publicada nesta sexta-feira (9) no DOU (Diário Oficial da União).
Segundo a AGU, entre os objetivos da força-tarefa estão a prestação de consultoria jurídica para a mitigação de danos, a recomposição da infraestrutura de pesquisa e a salvaguarda das atividades de ciência, tecnologia e inovação (CT&I) e, ainda, acompanhamento as apurações criminais para identificar os responsáveis pelo incêndio.
As causas do incidente ainda não foram identificadas mas, de acordo com a instituição, existem suspeitas sobre a origem das chamas. A AGU afirmou que esse foi o terceiro caso de incêndio registrado na universidade em um intervalo de oito dias e há relatos de ameaças feitas por estudantes.
A força-tarefa poderá requerer à Polícia Federal a instauração de inquérito policial, pedir diligências durante a investigação e, caso a ação penal seja ajuizada, atuar como assistente da acusação, nos termos do Código de Processo Penal.
A Ministra da Ciência, tecnologia e inovação Luciana Santos, aponta que são 40 milhões de reais para recuperar a infraestrutura de pesquisa, com foco nos equipamentos que haviam sido adquiridos pela Finep, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Luciana também afirmou que os recursos já estão reservados no Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e ressaltou a importância do NB3, laboratório que é de terceira geração de controle biológico de biossegurança.
*Sob supervisão de Manuella Dal Mas


