Projeto inédito descobre padrão em vítimas de violência doméstica com IA
Ferramenta de inteligência artificial, desenvolvida no Recife, identificará violência doméstica e feminicídio com mais de 500 profissionais habilitados para acolhimento

Um projeto com o uso da inteligência artificial foi desenvolvido em Recife coma missão de identificar possíveis vítimas de violência doméstica e feminicídio em UBS (Unidades Básicas de Saúde). Com a tecnologia chamada 'ClarIA' é possível identificar sinais de violência e padrões de comportamento associado às vítimas.
Ao analisar 16 mil registros de atendimento de mulheres vítimas de violência atendidas nas unidades de saúde município e combiná-los com dados do Sinan (Sistema de Informações de Agravos de Notificação), foi possível concluir que, nos 90 dias que antecedem um agressão ou feminicídio, a maioria das mulheres procuram serviços de saúde com maior frequência, relatando questões relacionadas à saúde mental.
O projeto analisa dados clínicos e históricos dos sistemas de saúde. Ao identificar indícios pertinentes com situações de violência, ela gera um alerta no PEC e-SUS (Prontuário Eletrônico do Cidadão).
A ferramenta foi concretizada a partir de uma parceria entre a Prefeitura do Recife, através da Secretaria da Saúde, a Vital Strategies e a UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora).
Rede de apoio
De acordo com a prefeitura, a 'ClarIA' estará em 24 unidades de saúde, com 541 profissionais habilitados para acolhimento das vítimas. Atualmente, 75% das notificações de violência contra a mulher no Sinan são realizadas pelos prontos-socorros, enquanto apenas 1% ocorre na Atenção Básica.
“A identificação precoce, a compreensão do contexto, o acolhimento qualificado e o encaminhamento para a rede especializada podem fazer toda a diferença na vida dessas mulheres, contribuindo para romper o ciclo de violência e até evitar desfechos fatais”, afirma a secretária de Saúde do Recife, Luciana Albuquerque.
Antes de chegar a outras unidades de Atenção Básica, a inteligência artificial foi testada em três Unidades de Saúde da Família: Santo Amaro III, Santa Terezinha e Pilar, além de uma equipe E-Multi.
Ao todo, mais de 60 profissionais foram capacitados para atuar na identificação e no acolhimento de possíveis vítimas no processo de teste.
*Sob supervisão de Thiago Félix


