Violência contra mulher: 9 sinais de alerta para relacionamentos abusivos
Fundadora da ONG Cruzando Histórias diz que comportamentos como controle, ciúme excessivo e humilhação podem indicar risco de violência no relacionamento

sA maioria dos casos de violência por parceiro íntimo não começa com agressão física, mas com comportamentos que se intensificam ao longo do tempo, como controle, ciúme excessivo e manipulação. O alerta é de Bia Diniz, fundadora da ONG Cruzando Histórias, que atua na prevenção da violência contra a mulher.
Segundo a especialista, existem sinais que podem indicar que um relacionamento tem potencial para se tornar abusivo. Entre eles estão atitudes como ridicularizar a parceira, tentar controlar roupas, amizades ou comportamentos e exigir informações constantes sobre onde a pessoa está ou com quem está.
Muitas vezes o abuso é relacionado ao cuidado. As pessoas tendem a dizer "Isso é amor".
De acordo com Diniz, ameaças emocionais também podem indicar risco, como frases do tipo “não vivo sem você” ou “se o relacionamento acabar minha vida acaba junto”. Para ela, esse tipo de comportamento faz parte do chamado ciclo do abuso, que inclui aumento de tensão, conflito, pedido de desculpas e repetição das agressões.
A ONG participa do programa de conscientização Abuso Não é Amor, que oferece treinamento online gratuito para ajudar a identificar sinais de relacionamentos abusivos e orientar possíveis vítimas sobre como buscar ajuda.
Os 9 sinais de um relacionamento abusivo:
- Ignorar: quando o abusador usa a própria raiva como uma oportunidade para punir seus parceiros, ignorando-os propositalmente;
- Chantagear: quando o abusador diz que vai abandonar a pessoa ou expor segredos se não fizer algo ou recusar algo;
- Humilhar: quando o abusador insulta o parceiro, fazendo-o se sentir mal;
- Manipular: quando o abusador usa os sentimentos do parceiro para que eles ajam de certa maneira;
- Mostrar ciúmes excessivo: quando o abusador suspeita de tudo que o parceiro diz ou faz, além de querer atenção total;
- Controlar: quando o parceiro controla tudo do parceiro, o que veste, o que faz, etc;
- Intrusão: quando o abusador quer se intrometer nas coisas pessoais do parceiro, como mensagens ou redes sociais;
- Isolar: quando o abusador isola o parceiro da família e amigos;
- Intimidar: quando o abusador coloca medo em você e o que faz.
A especialista recomenda que, ao perceber sinais de abuso, a pessoa procure apoio de amigos, familiares ou profissionais de saúde. Em casos de risco, também é possível buscar orientação pelo telefone 180, canal nacional de atendimento à mulher, que funciona 24 horas por dia.
“É um projeto que traz como foco de prevenção a educação. Entendemos que a prevenção salva vidas", disse, em entrevista à CNN Brasil, realizada nesta sexta-feira (13).
Aumento da violência
A cada 24 horas em 2025, aproximadamente 12 mulheres foram vítimas de algum tipo de violência. É o que aponta os dados do estudo “Elas Vivem: a urgência da vida”, da Rede Observatórios da Segurança, que monitorou nove estados brasileiros ao longo do ano.
Segundo o levantamento, obtido em exclusividade pela CNN Brasil, 4.558 mulheres foram vitimadas, o que representa um aumento de 9% em relação a 2024.
Entre os tipos de violência registrados, chamou atenção o crescimento dos casos de violência sexual e estupro. Os registros aumentaram 56,6%, passando de 602 para 961 casos. O perfil das vítimas revela um cenário alarmante: 56,5% eram crianças e adolescentes entre 0 e 17 anos.
Entre as ocorrências mais frequentes estão tentativa de feminicídio e agressão, que somaram 1.798 registros.
O estudo também analisou outros tipos de violência, como agressão verbal, cárcere privado, dano ao patrimônio, feminicídio, homicídio, sequestro e supressão de documentos, entre outros.


