Veja o que pode influenciar ataque de tubarão como o ocorrido em Olinda
Menino de 13 anos morreu após ser mordido por animal na Praia Del Chifre; especialistas apontam que degradação ambiental, correntes marítimas e a geologia da costa explicam a alta incidência de incidentes no litoral de Pernambuco

A morte de um adolescente de 13 anos na Praia Del Chifre, em Olinda, ocorrida após um ataque de tubarão que causou uma lesão grave na coxa, reacendeu o debate sobre os riscos no litoral pernambucano.
Este foi o sexto registro na mesma localidade, que se soma às estatísticas de uma região que concentra a maior parte dos ataques de tubarão no Brasil.
Segundo estudos científicos publicados pela ABER (Associação Brasileira de Estudos Regionais e Urbanos), o fenômeno não é aleatório, mas resultado de uma combinação de fatores ambientais e intervenções humanas.
Fatores ambientais e a geologia da costa
Um dos principais elementos que facilitam o encontro entre humanos e animais é a presença de um canal profundo paralelo à linha da costa.
Essa formação geológica permite que espécies de grande porte se aproximem da beira da praia, mesmo em águas consideradas rasas pelos banhistas.
Além disso, as correntes costeiras que fluem em direção ao norte transportam os animais para as praias urbanas da Região Metropolitana do Recife.
As espécies mais associadas a esses incidentes são o Tubarão-tigre (Galeocerdo cuvier) e o Tubarão-cabeça-chata (Carcharhinus leucas), que possuem preferência por águas quentes e turvas.
Estes animais utilizam sistemas sensoriais avançados, como as Ampolas de Lorenzini, para detectar presas e estímulos eletromagnéticos na água.
O impacto das ações humanas
Pesquisas indicam que a construções na grande Recife, causaram uma profunda degradação ambiental, destruindo manguezais e desequilibrando a cadeia alimentar marinha.
A presença de grandes embarcações também atrai os tubarões, muitas vezes devido ao descarte inadequado de resíduos pelas tripulações.
Outros fatores citados incluem a poluição proveniente de rios e a presença de matadouros nas proximidades, que liberam efluentes atrativos para os predadores.
Prevenção e comportamento de risco
Apesar da existência de ampla sinalização e advertências nas praias, o desrespeito às normas de segurança continua sendo um fator determinante para novos casos. Especialistas reforçam que banhistas devem evitar o mar em áreas de risco quando apresentarem ferimentos, em horários de maré alta ou em águas profundas e turvas.
Especialistas apontam rápida resposta médica é crucial para a sobrevivência, dado que as mordidas costumam causar lesões teciduais extensas e perda massiva de sangue.


