Caso Benício: falta de equipamento e equipe atrasou socorro em UTI; entenda

Investigação policial aponta falhas sistêmicas incluindo ausência de farmacêutico para checagem e indisponibilidade de equipamento

Beto Souza e Felipe Andrade, da CNN Brasil, em São Paulo
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A investigação sobre a morte de Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, no Hospital Santa Júlia em Manaus, aponta para uma cadeia de erros sistêmicos que se estenderam desde a prescrição inicial até o atendimento na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A PCAM (Polícia Civil do Amazonas) investiga o caso como homicídio, e já solicitou a prisão da médica responsável pelo atendimento, contudo, o pedido foi negado pela justiça.

O atendimento do Pronto Socorro para a UTI Pediátrica foi marcada por dificuldades logísticas que impactaram o tempo de socorro.

Os depoimentos colhidos pela Polícia Civil destacam que, além do erro de administração, o socorro subsequente foi comprometido pela ausência de um farmacêutico habilitado para dispensar o fármaco e pela falta de equipamento específico e profissional especializado na UTI.

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Um profissional de enfermagem relatou que a médica responsável pela prescrição inicial demonstrou despreparo e não sabia como preencher a guia de internação, tendo que ser lembrada várias vezes, o que resultou em uma resposta médica "muito mais lenta e ineficaz".

Uma testemunha no hospital relatou que o menino passou "muito tempo na sala de reanimação" e demorou a ser transferido para a UTI.

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Agravamento de quadro

O quadro se agravou progressivamente na UTI, após um quadro de fadiga respiratória grave e à necessidade urgente de IOT (Intubação Orotraqueal). Foi durante esse procedimento crítico que a carência de recursos se destacou.

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Três tentativas de intubação foram malsucedidas. Após essas tentativas, a médica solicitou um equipamento especializado conhecido como videolaringologia. O equipamento permite a visualização por meio de vídeos para evitar erros.

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Contudo, uma técnica de enfermagem da UTI relatou em depoimento que "não houve êxito em conseguir o referido equipamento", porque o médico anestesista que opera o equipamento não estava disponível no horário.

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Benício morreu após receber uma dose de adrenalina por via intravenosa, medicamentação aplicada para um quadro de laringite. Antes de morrer, ele sofreu seis paradas cardiorrespiratórias.