Picape com "montanha de barras de ouro": o que sabemos sobre o caso

Avaliada em aproximadamente R$ 62 milhões segundo a cotação atual, a carga de ouro é a maior já apreendida pela Polícia Rodoviária Federal no Brasil

Thomaz Coelho e Beto Souza, da CNN, São Paulo
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A Polícia Rodoviária Federal apreendeu 103 quilos de ouro maciço escondidos em uma picape que trafegava por uma rodovia de Roraima. O caso ganhou grande repercussão desde que a apreensão foi realizada, na segunda-feira (4).

O ouro foi encaminhado para a sede da Polícia Federal em Boa Vista, e a instituição seguirá com as investigações para descobrir a origem, o destino e a propriedade do material.

Avaliada em aproximadamente R$ 62 milhões segundo a cotação atual, a carga de ouro é a maior já apreendida pela Polícia Rodoviária Federal no Brasil.

Suspeitos

Bruno Mendes de Jesus é suspeito de transportar as barras de ouro. Conforme apurado pela CNN, a esposa dele, que estava no veículo no momento do flagrante, é a influencer Suzy Alencar.

Segundo o advogado de Bruno, Smiller Rodrigues de Carvalho, ele é um trabalhador do setor mineral. A esposa Suzy Alencar, influencer que fala sobre maternidade e mãe de três crianças, se posicionou nas redes sociais sobre o caso.

Bebê no carro

As marcas de manipulação no painel da picape Hilux (ano 2024) e a presença de um bebê de nove meses no veículo foram decisivas.

Para não expor a criança, a PRF levou o carro à sede operacional, onde um fundo falso foi descoberto com as barras de ouro.

Suzy informou que em momento algum ela foi presa, ou seu filho de 9 meses, que também estava presente no carro, foi encaminhado ao conselho tutelar.

Destino do ouro

A suspeita é de que o ouro tenha vindo de Rondônia e poderia estar sendo levado para a Venezuela ou a Guiana e seja proveniente do garimpo ilegal.

O ouro foi encaminhado para a sede da Polícia Federal em Boa Vista, e a instituição seguirá com as investigações para descobrir a origem, o destino e a propriedade do material.

Avaliada em aproximadamente R$ 62 milhões segundo a cotação atual, a carga de ouro é a maior já apreendida pela Polícia Rodoviária Federal no Brasil.

o que diz a lei sobre o caso?

Bruno Mendes de Jesus foi preso e é investigado pela suposta prática de crimes ambientais e contra a ordem econômica, previstos no art. 55 da Lei nº 9.605/98 e no art. 2º da Lei nº 8.176/91.

Art. 55 da Lei nº 9.605/98, conhecida como Lei de Crimes Ambientais, estabelece:

  • "Executar pesquisa, lavra ou extração de recursos minerais sem a competente autorização, permissão, concessão ou licença, ou em desacordo com a obtida".

Este artigo visa coibir a mineração ilegal, protegendo o meio ambiente e o controle estatal sobre os recursos naturais.

Já o Art. 2º da Lei nº 8.176/91 define como crime contra o patrimônio, na modalidade de usurpação:

  • "Produzir bens ou explorar matéria-prima pertencentes à União, sem autorização legal ou em desacordo com as obrigações impostas pelo título autorizativo".

O parágrafo 1º do mesmo artigo complementa: "Incorre na mesma pena aquele que, sem autorização legal, adquirir, transportar, industrializar, tiver consigo, consumir ou comercializar produtos ou matéria-prima, obtidos na forma prevista no caput deste artigo".

Este ponto é crucial, pois penaliza não apenas a produção, mas também o transporte e comercialização de produtos obtidos ilegalmente, o que se encaixa na situação de Bruno.

Investigações e o que diz a defesa

Polícia Federal (PF) de Roraima segue investigando para determinar a origem exata e o destino final do ouro. Suspeita-se que ele tenha partido de Rondônia e tinha possivelmente Venezuela ou Guiana como destinos

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A defesa de Bruno alega que ele é "trabalhador do setor mineral" e "primário, de bons antecedentes". A esposa, Suzy Alencar, que estava com o filho de nove meses, confirmou em suas redes sociais que não foi presa. O processo continua na Justiça Federal de Roraima.