Nove meses após morte de Henry, livro traz a história do crime que chocou o país

Obra de Paolla Serra traz detalhes sobre a investigação, mensagens resgatadas nos telefones dos envolvidos e conta as origens de Monique e Jairinho, mãe e padrasto da criança, acusados do crime

Henry Borel, de 4 anos, morreu em 8 de março.
Henry Borel, de 4 anos, morreu em 8 de março. Foto: Reprodução/Instagram

Pauline AlmeidaThayana Araújoda CNN

no Rio de Janeiro

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Nove meses após o assassinato do menino Henry Borel, de quatro anos, a história do crime é contada no livro “Caso Henry Morte Anunciada – A investigação e os detalhes não revelados da história que chocou o país”.

A obra de Paolla Serra, primeira jornalista a divulgar o caso na imprensa, vai ser lançada nesta quinta-feira (9), no Rio de Janeiro.

O livro é resultado de oito meses de apuração, com a análise de 1,5 mil páginas de documentos, 50 mil arquivos digitais e 200 entrevistas, uma delas com a mãe de Henry, Monique Medeiros, realizada na cadeia onde ela está presa desde abril.

Monique e o então namorado dela, o vereador Jairo Souza Santos Junior, conhecido como Dr. Jairinho, são acusados da morte de Henry.

Paolla Serra abre o livro com a madrugada do dia 8 de março de 2021, quando o casal entrou com a criança no Hospital Barra D’or. Na unidade, foram quase duas horas de tentativas frustradas de reanimação, pois o garoto já havia chegado morto.

A versão apresentada pelo casal, de que Henry teria caído da cama, logo foi derrubada por laudos periciais e da necropsia, como o documento com a descrição das 23 lesões que o corpo da criança apresentava, com graves ferimentos internos em vários órgãos.

A investigação terminou com a denúncia de Monique e Jairinho por homicídio triplamente qualificado.

Capa do livro de Paolla Serra. / Reprodução

Paolla Serra vai além do caso, traz o histórico dos acusados, sua vida familiar e características pessoais, como as semelhanças da origem no bairro de Bangu, a vaidade extrema e o gosto por roupas de grife e restaurantes finos.

Com uma vida amorosa tumultuada, com diversas traições no histórico, Jairinho conhece Monique pelas redes sociais, quando ela vivia uma crise no casamento.

O relacionamento evolui rápido e, em poucos meses, passam a morar juntos em um condomínio de alto padrão, onde Henry morreu.

Com mensagens recuperadas nos celulares dos envolvidos na trama, Paolla Serra conta que o casal tinha um relacionamento conturbado.

Na manhã seguinte à morte de Henry, por exemplo, Jairinho deixa o hospital sem avisar e é questionado por Monique sobre onde está: “No posto com quem? Se estivesse me aguardando estaria no hospital.”

A obra avança pela repercussão da morte, como o contrato de quase R$ 50 mil que o casal fecha com uma equipe de comunicação para divulgar sua versão do caso nas redes sociais; o trabalho da polícia e o monitoramento de Monique e Jairinho para a operação que os levou à cadeia; a mudança das estratégias de defesa de cada um deles; até a primeira audiência na Justiça.

“Procurei jogar luz na história, com máxima atenção aos detalhes e aos relatos que colhi, sempre checando e rechecando as informações. Minha preocupação foi não fazer pré-julgamentos, nem ter uma visão parcial, como reza a cartilha do jornalismo investigativo”, declarou Paolla Serra.

Serviço

Data: 9 de dezembro
Horário: a partir das 19h
Local: Livraria da Travessa do Shopping Leblon (Av. Afrânio de Melo Franco, 290, loja 205 A)

 

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