Operação da PF mira grupo suspeito de utilizar ouro ilegal da Venezuela

Investigações apontam indícios de importação proibida de mais de 100 kg de ouro venezuelano, além da ocultação da origem de mais de R$ 32 milhões

Polícia Federal nas ruas de Roraima nesta sexta-feira (15)
Polícia Federal nas ruas de Roraima nesta sexta-feira (15) Foto: Polícia Federal

Vianey Bentesda CNN

em Brasília

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A Polícia Federal (PF) cumpre nesta sexta-feira (15) 40 mandados expedidos pela 1ª Vara da Justiça Federal em Roraima, na operação chamada de “La Cadena”.

O objetivo da operação é desarticular uma organização criminosa que seria responsável pela movimentação ilícita de ouro retirado de terras indígenas e da Venezuela.

Estão sendo cumpridos quatro mandados de prisão preventiva, 14 de busca e apreensão, seis de condução coercitiva para monitoramento eletrônico e 16 de sequestro de bens.

As investigações começaram em 2019, após o motorista que estava em um carro roubado ter sido abordado pela Polícia Militar em Pacaraima (RR) com R$ 180 mil.

Na ocasião, a justificativa dada foi de que o dinheiro seria para compra de ouro na Venezuela, e que esse tipo de viagem para aquisição de ouro era feita mensalmente.

O indivíduo foi entregue à PF que, por sua vez, encontrou indícios de ligação entre o homem com investigados na operação “Hespérides”, realizada em dezembro de 2019, e que investigou a existência de uma organização criminosa especializada em entrar com ouro do país vizinho no Brasil.

De acordo com os investigadores, o ouro contrabandeado era disfarçado de sucata de metal – o que escondia a origem e a qualidade –, e os criminosos teriam movimentado ilegalmente quantias bilionárias.

Segundo o inquérito, a quadrilha também exportava ilegalmente grande quantidade de produtos alimentícios para Venezuela, com o pagamento recebido em ouro que entraria no Brasil clandestinamente. Para tornar os valores obtidos legais, os envolvidos usavam empresas de Roraima.

A PF aponta que há indícios da importação proibida de mais de 100 kg de ouro venezuelano, além da dissimulação da origem de mais de R$ 32 milhões.

Os envolvidos vão responder pelos crimes de organização criminosa, contrabando, descaminho, sonegação tributária e lavagem de dinheiro.

O nome da operação se refere à nacionalidade venezuelana de parte dos envolvidos, tanto à forma estruturada da organização criminosa quanto ao local de destino dos alvos, a cadeia.

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