Petrópolis: motoristas de ônibus arrastados pela correnteza falam sobre tragédia

União dos dois Carlos aconteceu para se salvar e resgatar os passageiros dos coletivos; uma corda jogada por moradores de um condomínio ajudou nos resgates

Os motoristas Carlos Antônio Farias e Carlos Alberto Nascimento
Os motoristas Carlos Antônio Farias e Carlos Alberto Nascimento Divulgação/Petro Ita

Helena Vieirada CNN

no Rio de Janeiro

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A tragédia em Petrópolis uniu as trajetórias de dois Carlos. Eles protagonizaram cenas dramáticas e emblemáticas, na última terça-feira (15). Ambos eram os motoristas dos ônibus que foram levados pela correnteza.

Eles conseguiram se salvar e resgatar os passageiros, quando moradores de um condomínio jogaram cordas. Carlos Alberto Nascimento, um dos heróis dessa história, completou 52 anos nesta quinta-feira (17) e comemorou o seu “renascimento” e a possibilidade de ter podido ajudar as pessoas que estavam no coletivo que dirigia.

O motorista do segundo ônibus, Carlos Antônio Farias, de 45 anos, conta que se uniu com o outro Carlos para salvar as pessoas que estavam no ônibus e que a ajuda dos moradores do condomínio foi fundamental.

“Lançaram cordas em nossa direção, que foram amarradas nos ônibus e em portões, colunas e poste da via. Sendo possível começar a fazer o resgate dos passageiros, com a ajuda das pessoas do condomínio, a quem somos extremamente gratos”.

Ambos lamentaram não ter conseguido salvar todos os passageiros que estavam nos ônibus. Emocionado, Carlos Alberto Nascimento, fez um desabafo: “Eu não sei quem é o pai daquele menino que eu não consegui pegar. Mas, ele pode estar certo de que a dor que está sentindo é a mesma que eu estou. Eu só quero que Deus conforte muito a família. Aquela criança era tudo o que eu queria ter segurado”. Carlos Antônio também externou seu sofrimento pelas vidas perdidas: “Eu só queria salvar todo mundo. Só isso”, concluiu.

Na tarde da última terça-feira, quando a chuva começou a devastar Petrópolis, a correnteza que se formou em uma das ruas principais arrancou a estrutura da pista e arrastou os dois ônibus. Segundo os rodoviários, eles seguiram todos os procedimentos de segurança, mas não esperavam que a água fosse subir daquela maneira.

“O rio ainda estava sob controle, sem jogar água na pista. Estávamos seguindo itinerário para o bairro, porém, alguns metros à frente, após a UPA [Unidade de Pronto Atendimento], veio uma onda em direção aos coletivos. Como recomendado, paramos os ônibus na pista, para deixar a água baixar e seguir viagem, posteriormente”, contaram os motoristas.

Logo depois, quando viram que o nível da água não parava de subir, acionaram a alavanca dos ônibus para que as janelas fossem retiradas e os passageiros pudessem sair. De acordo com os motoristas e cobradores dos dois coletivos, a queda de uma barreira na região foi o que provocou o desastre.

“Com o impacto da queda, a força da água balançou o ônibus, fazendo com que os veículos começassem a ser arrastados, não sendo possível salvar mais ninguém”.

Os dois motoristas voltaram ao trabalho nesta quinta-feira (17). Mesmo abalados, eles reconhecem a importância que têm para os moradores de Petrópolis. “Muitas pessoas dependem dos ônibus. Vários motoristas não conseguiram voltar ao trabalho. A população depende de nós”.

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