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    Piloto de celebridades é investigado por suspostos voos irregulares

    Cassiano Tete Teodoro não tem autorização legal para oferecer voos remunerados

    O piloto Cassiano Tete Teodoro, investigado por suposto voo irregular
    O piloto Cassiano Tete Teodoro, investigado por suposto voo irregular Foto: Reprodução / Redes sociais

    José Brito e Luiz Fernando Toledo,

    da CNN, em São Paulo

     

    Em janeiro deste ano, um vídeo que viralizou nas redes sociais mostra um helicóptero, modelo Robinson R44, perdendo o controle e fazendo um pouso forçado no terraço de um prédio, na avenida Brigadeiro Faria Lima, centro empresarial da cidade de São Paulo.

    O acidente está sendo investigado pelo Quarto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa IV). Registros preliminares da apuração apontam que a aeronave apresentou tendência de giro involuntário para a esquerda, seguido de perda de sustentação.

    O piloto responsável pelo voo, Cassiano Tete Teodoro, e os passageiros saíram ilesos. O caso também passou a ser investigado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) por ter indícios de prestação de serviço irregular de táxi-aéreo, já que Teodoro não tem autorização legal para oferecer voos remunerados.

    Nas redes sociais de Teodoro era possível encontrar fotos do piloto com celebridades, como artistas de TV e jogadores de futebol como seus passageiros. Em alguns posts, ele é chamado de “Guilherme”. Depois de a reportagem ter contatado Teodoro para pedir uma entrevista, os registros virtuais desapareceram.

     

    foto postada em maio do ano passado pelo goleiro jailson, do palmeiras, ao lado
    Foto postada em maio do ano passado pelo goleiro Jailson, do Palmeiras, ao lado do piloto Teodoro (06.jul.2020)
    Foto: Reprodução/Instagram

    Além do episódio na Faria Lima, a Anac afirmou à CNN que existem outros processos administrativos em curso contra Teodoro e sua empresa, a Voe SP, para apurar denúncias de táxi-aéreo clandestino e fraudes em manutenção de aeronaves.

    Leia todas as reportagens desta série sobre voos piratas:
    Interdição de aeronaves clandestinas cresce mais de cinco vezes desde 2017
    Em processo de cassação, empresa de táxi-aéreo continua operando com outro nome
    Polícia do MS descobre esquema de manutenção clandestina de aeronaves
    Empresas já suspensas por voo irregular prestaram serviços para o poder público
    Parlamentares usaram aeronaves sem autorização para táxi-aéreo
    Empresas de diretor e conselheiro de sindicato de táxi-aéreo já foram suspensas
    Quase metade das aeronaves do país está impedida de voar por irregularidades
    Podcast com bastidores das reportagens

    Em um dos processos, o piloto foi acusado de ter fraudado o sistema de plano de voo ao informar matrícula de uma aeronave diferente da que ele usava, em 2016. Foi recomendada a abertura de um processo de cassação de licença do piloto por “caso grave de apresentação de informações falsas ao órgão de controle do espaço aéreo no intuito de obter vantagens pessoais ao decolar com aeronave não autorizada”.

    Teodoro foi multado, em 2016, por conduta irregular em plano de voo e também foi suspenso cautelarmente, em 2017, por 93 dias, e, em 2019, por 73 dias, por indícios de transporte aéreo clandestino. No decorrer do processo administrativo, a Anac diz que informou ao Ministério Público do Estado de São Paulo sobre o caso, além de contar com o apoio da Polícia Civil em operações. Duas aeronaves pilotadas por Cassiano Teodoro também foram suspensas cautelarmente, em 2017 e 2019.  

    Procurado, Teodoro mostrou preocupação com a realização da reportagem. “Poxa vida! Se isso vir à tona agora… Isso talvez prejudique a nossa concessão de licença que a gente está pleiteando junto à Anac”. Ele ainda garantiu que a empresa não está operando e aguarda a certificação da agência reguladora. Ao ser indagado sobre usar outro nome para se apresentar aos passageiros, ele explica que “Guilherme, internamente, é um nome de pista”. A CNN também tentou entrevistar o advogado do piloto, que não quis se manifestar.

    Em nota, a Anac afirma que “o processo da empresa Voe SP para certificação como empresa de táxi-aéreo foi aberto em 2018 e segue na primeira fase pela dificuldade de atendimento por parte da empresa dos requisitos iniciais mínimos para essa certificação. Uma das pendências é relativa à indicação de pessoal de administração necessário para o funcionamento da empresa, como o cargo de diretor de manutenção”. A agência afirma ainda que “tem concedido reiterados prazos para a apresentação dos requisitos pela empresa Voe SP e informa que a empresa não poderá prestar serviço de transporte como táxi-aéreo enquanto o processo estiver em andamento”.