PM de SP abre processos de apuração contra 6 policiais por excessos em protestos

Corregedoria da Polícia Militar deve decidir em até 10 dias se vai propor uma punição pelos fatos registrados nas manifestações do último domingo (7)

Pedro Duran da CNN
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https://www.youtube.com/watch?v=Ll9I1oNGYqU

A Corregedoria da Polícia Militar deve decidir em até 10 dias se vai propor uma punição pela atuação de seis policiais militares que cometeram excessos durante a operação nas manifestações de São Paulo neste domingo (7). Os seis já foram advertidos oficialmente e terão inscrições em suas fichas na corporação.

Pelo menos três deles foram gravados usando cassetete contra um grupo de pessoas que corria da PM na região de Pinheiros. A polícia alega que aquelas pessoas haviam participado de depredações e estavam fugindo do local. Eles reconhecem, no entanto, que houve excesso na abordagem.

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Um outro policial advertido e investigado faz parte da Rocam, o grupamento de motocicletas da PM de São Paulo. Escalado para acompanhar as manifestações, ele postou uma foto em sua conta no Instagram com o cassetete na mão, vestido de farda e em frente às motos da PM, e na legenda escreveu: “Hoje tem manifestação no largo da Batata e os Antifas querem marcar presença. Eu quero cacetar a lomba dos baderneiros”.

Logo que a postagem foi identificada, esse policial foi retirado da ação e advertido pelos superiores.

No caso dos policiais que aparecem nos vídeos que circularam na internet, durante o processo de reorientação eles deverão ter de assistir o vídeo e terão os erros apontados pelos supervisores.

Como não houve registro de internação em hospitais das pessoas abordadas pela PM ou queixa formal, o processo não culminará na demissão dos policiais, que seria a punição máxima internamente.

Procedimento interno

Os batalhões da Polícia Militar de São Paulo contam com um Oficial do Sistema de Justiça e Disciplina. A função desse servidor é acompanhar de perto todas as denúncias de mau comportamento dos policiais e cuidar dos procedimentos que serão encaminhados à Corregedoria.

A PM afirma que “não tem compromisso com o erro” e que os policiais, por sua vez, terão direito à ampla defesa. Investigações internas como essa podem durar de 30 a 90 dias. Neste caso, em que os policiais inclusive já foram identificados, a resposta deve vir em 10 dias. Como não haverá perícia por lesão corporal, a princípio, o procedimento pode ser até acelerado.

A Polícia Militar de São Paulo conta com 85 mil policiais. Nas manifestações de domingo foram escalados quatro mil. Justamente por isso eles defendem que os casos citados na reportagem foram “exceção” e não a regra geral do trabalho realizado.