Chico Alencar e Gurgel Soares discordam sobre 'democracia' do movimento Antifas


Da CNN
08 de junho de 2020 às 16:23 | Atualizado 08 de junho de 2020 às 17:31

Em debate promovido pela CNN nesta segunda-feira (8), o ex-deputado federal pelo PSOL, historiador e professor Chico Alencar, e o deputado federal Gurgel Soares (PSL-RJ) falaram sobre o movimento "antifas" (antifascistas).

Alencar disse que saúda “com muita alegria e emoção” a articulação, inclusive de jovens, da resistência “a essa escalada autoritária que há no mundo e no Brasil”.

“Nós temos que defender a democracia sem fim. Não é só um movimento antifascista pela democracia plena, formal, representativa e com eleições periódicas, mas também com a participação popular permanente”, afirmou.

Além disso, o ex-deputado falou que o monopólio do uso da força no Estado Democrático de Direito "tem que ser daquelas mandatadas para isso, como as polícias democráticas que respeitam a dignidade humana, as Forças Armadas, e não se generalizar como está acontecendo no Brasil, esse armamentismo, que é um perigo e alimenta, inclusive, as milícias”. 

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Na visão do historiador, o país está “distorcido, enlouquecido, e em uma situação de grande risco para as conquistas democráticas pelas quais sua geração tanto batalhou.

Por outro lado, na avaliação do parlamentar do PSL, “os Antifas falam que lutam pela igualdade, liberdade e respeito ao próximo, mas quem pensa diferente deles é inimigo e escória da sociedade”.

“Quando a democracia é na verdade a capacidade de todas as formas pensantes, e cada um à sua maneira de externar a sua opinião sem que haja uma opressão do mais forte”, disse.

Soares falou ainda que não aceita quem manifesta com violência para defender ideias.  

“Sua ideia tem que ser defendida enquanto houver a democracia no campo do voto. Quem vota no pessoal da esquerda, por exemplo, está representado no Congresso. Temos vários parlamentares da esquerda que representam o que pensa o pessoal da esquerda. E tem que respeitar o mandato. Com todos os problemas, o presidente foi eleito e uma nova eleição pode dizer se ele continua ou se não está aprovado”.

Perguntados se o Brasil está convivendo com ideias fascistas, Soares afirmou que não.

"O governo de esquerda por 16 anos implementou aquilo que achou que era melhor para a sociedade e agora nós temos outro tipo de governo, que foi eleito defendendo tais valores. Não se pode falar que querer armar o povo é querer um regime fascista. Eu acho que não. Acho que a gente está com um choque de ideias", disse.

"Nós viemos de um governo muito à esquerda e agora entramos em um governo muito à direita. Nós precisamos equilibrar e, enquanto sociedade, definir o que queremos para o Brasil", acrescentou. Segundo o deputado, essas escolhas precisam ser feitas democraticamente. 

Para Alencar, o país "tem no poder institucional da República a extrema-direita".

"Com ideias que lembram essa qualificação do 'fascismo eterno', do livro do Umberto Eco. Ele faz 14 tipificações a partir de uma conferência que fez, ele que cresceu, inclusive, na época do fascismo", falou.

"Então tem isso, o mito, o grande chefe que emociona, que tem a manifestação de desconfiança com tudo e com todos e a ideia da conspiração e da mentira".

O historiador disse também que quem defende o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso quer sim o "fascismo tupiniquim" e o "neofascismo autoritarismo". "E nós não podemos aceitar isso", afirmou.

(Edição: André Rigue)