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    Policial diz que está “jurado pelo alto comando da PM-SP” por ter feito tatuagens; corporação nega

    Em nota, policia afirma que agente responde a processo disciplinar que apura abandono de posto de trabalho

    Policial militar Paulo Rogério da Costa Coutinho, conhecido como "Demolidor", tem 52 mil seguidores no Instagram
    Policial militar Paulo Rogério da Costa Coutinho, conhecido como "Demolidor", tem 52 mil seguidores no Instagram Reprodução/Instagram

    Marcos RosendoVictor AguiarCatarina Nestlehnerda CNN

    São Paulo

    O policial militar Paulo Rogério da Costa Coutinho, conhecido como “Demolidor”, afirma que está sofrendo um processo de perseguição por parte de seus superiores de batalhão, por ter feito tatuagens no corpo, inclusive no rosto.

    A Polícia Militar de São Paulo nega a denúncia e diz que o soldado é alvo de um processo disciplinar que apura abandono de posto de trabalho.

    Coutinho, que trabalha há 18 anos na corporação, disse que foi retirado das funções que exercia no policiamento de rua e transferido para exercer atividades administrativas, como serviços gerais e manutenção.

    O soldado declarou à CNN que fez a primeira tatuagem em 2018 e não parou mais. As críticas dos comandantes hierárquicos se intensificaram a partir de 2021, quando o policial decidiu tatuar o rosto.

    Ele contou que as tatuagens na face irritaram profundamente as altas patentes da PM SP. Ainda relatou que certa vez foi chamado para uma conversa reservada na sala de um coronel que lhe fez ameaças veladas. Segundo o soldado, o comandante ordenou que ele parasse de fazer tatuagens porque isso estaria influenciando outros policiais.

    “Não vou parar. Estou amparado pela lei. Não tenho responsabilidade pelos atos dos outros e vou continuar me tatuando”, respondeu o soldado ao coronel. Coutinho declarou que em uma outra conversa com um superior ouviu que ele seria “cassado” até o último dia de carreira.

    “Tenho a impressão que é uma questão de honra para a Polícia Militar me processar e tentar me expulsar da corporação. É puro preconceito por causa das tatuagens”, disse.

    Ainda de acordo com o policial, ele foi acusado de pegar sem autorização uma orquídea do 18º Batalhão.

    De acordo com sua versão, apenas trocou a planta de lugar, sem especificar onde teria colocado.Também disse que o comandante ordenou uma revista em seu alojamento e nada foi achado. Posteriormente, afirmou que a orquídea foi encontrada na cozinha.

    Em nota à CNN, “a Polícia Militar esclarece que o citado policial está respondendo a um processo disciplinar (Conselho de Disciplina) pelo cometimento, in tese, de crime, fato que teria ocorrido em fevereiro de 2022 pela conduta de abandono de posto”.

    Sobre a acusação de que o soldado pegou uma orquídea do batalhão sem autorização, a corporação não se pronunciou.

    Coutinho diz que a acusação de abandono de posto de trabalho é injusta. Ele relata que no Carnaval de 2022 foi escalado para fazer a segurança, com outros quatro policiais, no camarote de uma empresa de cerveja, no Sambódromo do Anhembi. Na ocasião, ao ir ao banheiro teve que entrar no camarote e foi muito assediado, com pedidos de foto, inclusive por artistas, que comentavam as tatuagens.

    “Até uma rainha de bateria de escola de samba, que estava no camarote, pediu para tirar uma foto. Toda essa ‘tietagem’ levou algum tempo e por isso eu fui acusado de abandonar o posto de trabalho e descumprimento de missão”, justificou o soldado.

    Nas redes sociais, “Demolidor” tem 52 mil seguidores, e compartilha sua rotina no trabalho, detalhes de sua vida particular, o amor por cães e sua torcida pelo Corinthians.