Poodle que pertencia a uma jovem com síndrome de Down é morto por pitbull em Salvador

Caso ocorreu 16 dias depois que outro cão foi atacado na Barra; segundo a tutora do poodle, os ataques foram feitos pelo mesmo pitbull

Camila Tíssia, da CNN, Em Salvador
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Um poodle morreu depois de ser atacado por um pitbull na última quinta-feira (25) na orla de Salvador (BA). O animal, que era chamado de Marvin, pertencia a uma adolescente de 12 anos e que tem Síndrome de Down.

O caso aconteceu por volta do meio-dia, 16 dias depois que outro cão foi atacado por um pitbull na Barra, bairro turístico da capital baiana. Segundo a tutora do poodle, os ataques foram feitos pelo mesmo pitbull.

No caso desta semana, a garota chegava ao restaurante da família, como de costume, e deixou o animal na entrada do estabelecimento, preso por uma coleira. O pitbull surgiu solto na rua, se aproximou do poodle, e o atacou.

Câmeras de segurança registraram a correria. Um dos funcionários, junto com outras quatro pessoas, tentou segurar o animal atacado, mas não foi possível salvá-lo. Veja abaixo:

Em conversa com a CNN, a empresária Dira Ramos, mãe da menina, relatou que ela gritava e ficou em um estado de nervos que nunca tinha visto.

"Isso mexe muito com emocional de uma criança. A gente sabe que eles [pessoas com síndrome de Down] são extremamente emotivos e situações como essa podem agravar o desenvolvimento. Essa é minha preocupação, de um trauma retroceder todo investimento de terapias. Ela não está querendo ir para a escola e fica perguntando pelo cachorro o tempo todo", contou Dira.

Relembrando o caso do dia 10 de abril, quando um cachorro caramelo também atacado por um pitbull enquanto passeava com a tutora na orla da Barra, a empresária disse querer respostas para a situação.

"As pessoas falaram que é, sim, o mesmo cachorro e parece pertencer a uma pessoa em situação de rua. Não sabemos quem é. Mas vamos esperar acontecer mais o quê"?

Por meio de nota, a Polícia Militar da Bahia falou que a lei municipal (9108/2016) que prevê o uso de coleira e focinheira em cães de grande porte. A lei, porém, é administrativa. Portanto trata-se de uma orientação, e não uma lei penal. Por isso não cabe condução e nem prisão por parte da PM.

Em caso de ataque do cão contra uma pessoa, a polícia afirmou ainda que pode ser acionada pelo 190 e os envolvidos serão encaminhados a uma delegacia. Já a Companhia de Polícia de Proteção Ambiental (Coppa), atua com os animais domésticos somente em situações de crime de maus-tratos.

Questionada, a prefeitura de Salvador disse não ter competência de fiscalizar, apenas realizar uma orientação e que também não possui local para direcionar o animal.