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    Praia Grande: o que se sabe sobre o prédio interditado após colapso estrutural

    Edifício no litoral paulista precisou ser evacuado após rompimento em três colunas; prefeitura aguarda laudos para liberar retorno dos moradores

    Prédio interditado (à esq.) fica no litoral de São Paulo
    Prédio interditado (à esq.) fica no litoral de São Paulo Reprodução/Google Street View

    Da CNN

    Um prédio com 133 apartamentos está interditado pela Defesa Civil desde a última terça-feira (13) após um colapso estrutural em três colunas. O edifício Giovannina Sarane Galavotti fica localizado no bairro Aviação, em Praia Grande, litoral de São Paulo.

    O Corpo de Bombeiros foi acionado ao local depois que moradores ouviram um barulho e identificaram o rompimento dos pilares. “Parecia estouro de pneu, mas senti que o pavimento tremeu. Pensei em terremoto, manobrei o carro e saí. Quando estacionei na rua, os moradores já estavam deixando o prédio”, relatou a técnica de enfermagem Larissa Ribeiro, que mora no prédio.

    Um morador que pediu para não ser identificado relatou que sua esposa dormia no sofá quando aconteceu o primeiro estrondo. “Ela pulou do sofá acreditando que o móvel tinha quebrado, mas logo percebeu que era algo com o prédio e desceu correndo com outros moradores”, disse.

    O que aconteceu?

    O capitão Thiago Duarte, do Corpo de Bombeiros, afirmou na terça-feira que foi constado um cisalhamento das colunas no subsolo.

    “Houve esse cisalhamento, que é o rompimento de três pilares e, por conta disso, o prédio foi evacuado”, explicou.

    Para minimizar os riscos, a construtora responsável pela obra iniciou um procedimento de escoramento. “Com o cisalhamento dos três pilares, os demais pilares estão aguentando esforços a mais do que eles foram previstos. Por conta disso está sendo feito o escoramento para aliviar os demais pilares”, acrescentou o capitão.

    Os pilares que apresentaram danos ficam no andar térreo e nos subsolos, garagens 1 e 2, na parte da frente do prédio. Vídeos que circularam em redes sociais apontaram inclinação no prédio, o que foi negado pelo Corpo de Bombeiros.

    Veja as colunas danificadas:

    Há risco de queda?

    A Defesa Civil reforçou que a estrutura já foi escorada e que, por isso, o prédio não corre disco iminente de desabamento.

    A construtora JR, responsável pelo empreendimento, afirmou que já tomou providências para reparar as colunas do prédio.

    Na noite de terça-feira, algumas horas depois de o edifício ter sido esvaziado, o tenente-coronel Maxwell de Souza, porta-voz da Defesa Civil estadual, afirmou à CNN que não houve registro de novos abalos e nem de danos em outras colunas ou outras partes da estrutura.

    O que vai acontecer com o prédio?

    Apesar de a Defesa Civil afirmar que não há risco iminente de desabamento, ainda não há uma definição sobre o futuro do imóvel.

    Engenheiros da prefeitura, da construtora e da Defesa Civil farão uma análise para verificar as causas e as consequências da ocorrência e, com base nisso, tomarão a decisão sobre o futuro do prédio.

    “O prédio ficará interditado até a construtora apresentar os documentos técnicos que comprovem a integridade do edifício”, disse a prefeitura, por meio de nota.

    Ainda segundo a Defesa Civil, já foi providenciado um escoramento de emergência com pontaletes –peças verticais que reforçam um ponto da construção que recebe muita carga– até que a construtora realize obras definitivas de reforço na sustentação da estrutura.

    Veja imagens da estrutura escorada:

    A situação do prédio é regular?

    De acordo com a administração municipal de Praia Grande, a construção está com o alvará em dia e possui as licenças de funcionamento.

    Para onde foram os moradores?

    A prefeitura informou que o realocamento das famílias é de responsabilidade da construtora e do condomínio, mas assegurou que o município acompanha esse trabalho e presta assistência quando necessário.

    Segundo a prefeitura, a maioria das famílias foi para casa de parentes e os turistas do Carnaval voltaram para suas cidades. “Cada família adotou medidas próprias para lidar com a situação” disse.

    Ainda na terça-feira, os bombeiros autorizaram os moradores a subirem para os apartamentos para resgatar animais de estimação e pegar objetos pessoais.

    Como é o prédio?

    O edifício Giovannina Sarane Galavotti fica localizado na avenida Jorge Haage, no bairro Aviação, em Praia Grande (75 km da capital paulista). O prédio fica a poucos metros da orla –inclusive, alguns apartamentos têm vista para o mar.

    Os 133 apartamentos estão divididos em 19 pavimentos, o que equivale a sete por andar. Há ainda outros quatro pisos, ocupados pelo térreo e as garagens. Ao todo, portanto, são 23 andares.

    Os apartamentos têm tamanhos diferentes, entre 53 m² a 224 m². No caso dos menores, o preço parte de R$ 375 mil.

    Os apartamentos de 224 m² chegam a custar R$ 1,6 milhão e têm quatro dormitórios (sendo quatro suítes), banheiro social, varanda gourmet, sala com dois ambientes e quatro vagas de garagem. A taxa de condomínio para essas unidades é de R$ 1.250 e o IPTU custa R$ 870, de acordo com imobiliárias locais.

    Já as unidades de 53 m² têm uma suíte, um banheiro social, cozinha americana e uma vaga de garagem. Para essas unidades, a taxa de condomínio é de R$ 425 e o IPTU, R$ 215.

    Nas áreas comuns, o edifício tem academia de ginástica, quadra poliesportiva, espaço kids, salão de festas, salão de jogos, sauna, cinema e piscina.

    Veja imagens do edifício:

    O que diz a administração do prédio

    Por meio de nota, a administração do Condomínio Giovannina Sarane Galavotti informa que “acompanha junto aos técnicos da Defesa Civil, prefeitura e da construtora JR os procedimentos para correção das 3 vigas impactadas na tarde do dia 13 de fevereiro e que a documentação do edifício encontra-se em dia”.

    “Não há, até o momento, informações sobre a causa do incidente e todo processo de avaliação será acompanhado por técnicos e uma comissão de moradores. As famílias aguardam a autorização oficial para retornar em segurança às suas moradias e temos confiança de que tudo será solucionado de forma definitiva. Esperamos que até o fim da quarta-feira, 14, a construtora retorne sobre apoio às famílias nas questões de moradia, alimentação, etc”, acrescenta.

    “Reiteramos a informação da Defesa Civil de que o prédio não corre risco de queda. Pedimos, em respeito às famílias, que evitem qualquer especulação sobre as causas ou informações não confirmadas, para não gerar mais pânico”, finaliza a administração.

    (Publicado por Fábio Munhoz, da CNN. Com informações do Estadão Conteúdo)