Prefeito do Rio diz que Réveillon foi cancelado por respeito à ciência

Eduardo Paes diz que foi surpreendido por orientação do comitê científico do estado, com apontamento dos riscos da festa

Pauline Almeida e Marcela Monteiroda CNN

no Rio de Janeiro

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O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), fez uma coletiva na manhã deste sábado (4) para apresentar os motivos que levaram ao cancelamento da festa de Réveillon na cidade.

“Fui surpreendido ontem pela decisão do comitê científico do estado. […] Não tem como não seguir a ciência nesse caso. Diante da manifestação do comitê científico do estado, apontando os riscos para a realização da festa, eu tomei a decisão de cancelar”, declarou à imprensa.

Segundo o prefeito, a princípio, também não haverá queima de fogos. “O que o comitê científico do estado disse é que tem que evitar aglomeração e que a festa poderia apresentar riscos. Então, a princípio, está cancelado tudo.”

Ao creditar a especialistas em saúde a suspensão da festa, que poderia reunir até 3 milhões de pessoas no Rio de Janeiro, Paes lembrou dos efeitos para a economia e cobrou responsabilidade dos comitês nos aconselhamentos.

“Isso não é uma quermesse que a gente faz. Isso é uma festa que demanda uma logística enorme da prefeitura, demanda despesa. A gente acredita e quer confiar na ciência, mas aqueles que fazem parte desses comitês científicos têm que ter a responsabilidade que a palavra deles pesa muito”, disse.

“Eu até ouvi uma argumentação de que ‘não é bem assim que o comitê científico do estado decidiu’, mas a mensagem que passou para a população é bem assim. A gente não pode viver essa incerteza”, afirmou o prefeito.

O comitê científico do município indicava a possibilidade de realização da festa, segundo a prefeitura, enquanto especialistas que auxiliam o governo do Estado recomendavam o cancelamento. Havia a expectativa de reuniões na próxima semana para ‘bater o martelo’ sobre o assunto, mas o prefeito Eduardo Paes anunciou a decisão na manhã deste sábado.

Réveillon sem patrocinadores

Como mostrou a CNN, as empresas contratadas pela capital para a realização da festa ainda não haviam conseguido patrocínio, o que colocava em risco a licitação. Questionado sobre os problemas financeiros, Eduardo Paes descartou a influência para o cancelamento.

“De forma alguma, a prefeitura tem suas contas organizadas, financia essa festa tranquilamente. Não teria nenhuma dificuldade em assumir os custos totais”, alegou.
Paes também negou que tenha sido impactado pelo movimento nacional de suspensão do Ano Novo, já cancelado em várias capitais do país. E aproveitou para incentivar o turismo no Rio de Janeiro, mesmo sem a tradicional queima de fogos da praia de Copacabana.

“O que eu digo para os turistas que vêm de outros estados do país é que, com a taxa de transmissão que nós temos, eu acho muito difícil que haja qualquer outra medida restritiva. Você eventualmente vai ter 15 minutos sem fogos na praia de Copacabana, mas a cidade continua mágica, incrível, receptiva, linda, maravilhosa. Os turistas vacinados serão muito bem-vindos”, declarou.

Esta semana, o Rio ampliou a exigência do passaporte da vacina para hotéis, bares e restaurantes.

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