Presidente do BC indica nova alta na Selic em setembro; Europa teme recessão
Thais Herédia e Priscila Yazbek apresentam podcast CNN Money, nas manhãs de segunda a sexta, com balanço dos assuntos que influenciam mercados, finanças e economia
O discurso do presidente do Banco Central (BC) na última segunda-feira (5) surpreendeu. A exemplo de outros chairmans ao redor do mundo, Roberto Campos Neto foi mais duro em suas falas do que nas comunicações oficiais da autarquia, à medida em que se opôs ao que vem dizendo o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo ele, a inflação ainda é um ponto de preocupação, e o fato do Brasil ter começado a subir os juros antes de boa parte do mundo não significa que o trabalho já está concluído. "Entendemos que a inflação teve alguma melhora recente, mas grande parte foi por medidas do governo. Vamos passar por três meses de deflação, muito provavelmente, mas a batalha não está ganha", disse o presidente do BC.
O que era encarado como ainda em aberto foi praticamente confirmado na última segunda: é muito provável que o BC eleve a Selic para 14%, no que pode ser o último movimento de alta, na próxima reunião do Copom no final deste mês.
Economistas já vinham discutindo a necessidade de continuar elevando a taxa de juros antes mesmo da declaração de Campos Neto. Tem quem diga, por exemplo, que a inflação de agora é por choque de oferta, causada pela disparada nos preços de energia e gargalos nas cadeias de suprimento. Se for esse o caso, a visão é de que os preços não necessariamente serão controlados com o aumento de juros, que reflete mais sobre a demanda do que sobre a oferta.
Há ainda quem defenda a visão de Campos Neto de continuar, sim, a elevar a Selic, uma vez que a deflação vista nos últimos meses acontece por consequência de medidas adotadas pelo governo, e a tendência de queda, no futuro, pode se reverter. O episódio desta terça-feira (6) do CNN Money reflete sobre os possíveis impactos de um novo aumento da Selic; no cenário internacional, o foco se volta para a crise energética na Europa e para uma recessão que, por lá, se torna cada vez mais provável.
Apresentado por Thais Herédia e Priscila Yazbek, o CNN Money apresenta um balanço dos assuntos do noticiário que influenciam os mercados, as finanças e os rumos da sociedade e das dinâmicas de poder no Brasil e no mundo.
*Publicado por Tamara Nassif