Professores filmados imitando macacos são intimados a prestar depoimento

A mulher deve ser ouvida através de carta rogatória; o homem deve prestar depoimento por carta precatória

Rafaela Cascardo, da CNN, Rio de Janeiro
Compartilhar matéria

Os professores de música que foram filmados imitando macacos em uma roda de samba na Praça Tiradentes, no Centro do Rio, foram intimados, nesta segunda-feira (29), a prestar depoimento. Os dois foram identificados pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), responsável pela investigação.

A mulher que aparece nas imagens é a argentina Carolina de Palma. Ela veio ao Brasil para participar do Fórum Latino-Americano de Educação Musical. Carolina já voltou para Buenos Aires, onde mora, por isso o depoimento dela deve ocorrer por meio de carta rogatória (instrumento jurídico para comunicação entre as Justiças de países diferentes).

A Associação Orff-Schulwerk (AAOrff), organização que a professora faz parte, publicou uma nota dizendo que na Argentina, “no contexto de uma atividade pedagógica, a imitação de animais não tem conotações racistas”.

Já o homem que também imitou macacos é Thiago Martins Maranhão, que mora em São Paulo. Ele deve ser ouvido pela polícia do estado por carta precatória (instrumento utilizado pela Justiça quando existem indivíduos em comarcas diferentes).

A escola Concept, onde Thiago trabalha, se pronunciou sobre o ocorrido através das redes sociais e disse que as medidas cabíveis estão sendo tomadas em relação ao funcionário.

O vídeo foi filmado pela jornalista Jackeline Oliveira, que esteve na delegacia para prestar depoimento. Através das redes sociais, ela afirmou que não imaginava a repercussão que o caso teria.

“Na sexta, não imaginei o tamanho da repercussão que esse caso poderia ter, mas quando a população se une para gritar por JUSTIÇA a cidade PARA para ouvir! São muitos sentimentos de sexta para cá. Consigo entender quem se inibe em denunciar, é difícil! São muitas camadas: a dor, a retaliação, a pressão, as cobranças, os atravessamentos. Recontar as histórias várias vezes. O racismo ainda é um instrumento usado para açoitar o corpo preto, mas de uma coisa sei: eu não tô sozinha!”, desabafou.

A CNN tenta contato com a defesa dos envolvidos.