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    Repatriado diz que recebeu ameaças no Brasil: “Fugi de uma guerra, e encontrei outra aqui”

    Já são mais de 200 mensagens com ameaças reunidas pelas redes sociais

    Reprodução/Hasan Habee

    Jussara Soaresda CNN

    O brasileiro-palestino Hasan Rabee, que ficou conhecido por mostrar em vídeos o conflito na Faixa de Gaza, tem recebido ameaças pelas redes sociais desde que retornou ao Brasil na última segunda-feira (13).

    Já são mais de 200 mensagens com ameaças reunidas. A CNN teve acesso a parte delas nas quais Hasan é intimidado e chamado de terrorista. Há muitas menções também ao fato de Hasan ter aparecido ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    Hasan e a família chegaram em São Paulo na quarta-feira (15), mas estão com medo de sair de casa. O comerciante também tem evitado usar as redes sociais. “A gente saiu da guerra, fugiu da morte. Chegou aqui e encontrou outra guerra com ameaça e pressão”, disse Hasan à CNN.

    O comerciante diz que, ao se deparar com as ameaças no Brasil, se arrependeu de ter feito os vídeos. “Eu me arrependi de gravar os vídeos e coloquei minha família em risco sem saber”, disse.

    Hasan lamenta que ainda não conseguiu sair com as filhas, de 5 e 3 anos, para passear por medo de ser reconhecido na rua. Enquanto estava em Gaza, as meninas pediam para ir ao shopping. Hasan chorou ao contar sobre isso em entrevista na CNN na terça-feira.

    “É muita pressão. Minha esposa está com medo. A gente estava precisando ir para shopping, mas não tem como ir agora. São muitas mensagens de ameaça, mais de 200. Estou cansado demais”, contou.

    Para Hasan, além do preconceito contra palestinos, ele virou alvo principalmente por agradecer ao governo federal e o presidente Lula. “O que estão fazendo é um jogo político porque eu agradeci o presidente Lula. Estão fazendo um jogo sujo comigo e minha família”, disse.

    A advogada Talita Camargo da Fonseca, que tem prestado assistência a Hasan Rabee, protocolou um pedido para que ele seja atendido no programa de Proteção de Defensores de Direitos Humanos do Ministério dos Direitos Humanos.

    “Os discursos de ódio são reiterados. Nós pedimos a proteção de defensores de direitos humanos porque, durante o conflito, por meio dos vídeos, ele encampou essa luta não apenas por ele, mas por outras pessoas”, disse a advogada.

    À CNN, a advogada afirmou que também prepara uma petição ao Ministério da Justiça e Segurança Pública para escolta de Hasan e família. “Vamos também ao Ministério da Justiça e Segurança Pública sobre essa situação e pedir escolta se necessário. Hoje, são haters, amanhã não sei o que pode acontecer”, pontuou a advogada.

    A advogada também já compilou todas as ameaças recebidas por Hasan nas redes sociais e fará boletim de ocorrência. “Há crimes de perseguição, xenofobia, injúria racial, injúria e ameaça. Tudo isso em um volume considerável. Se antes ele tinha violência psicológica e física na guerra, essa violência segue, porque tem a mãe e irmãs em Gaza e vem recebendo ameaças aqui”, disse Talita.

    Em nota, a Secretaria Nacional de Justiça do Ministério da Justiça e Segurança Pública afirmou que “as denúncias estão sendo apuradas e serão encaminhadas para a investigação da Polícia Federal (PF)”.