Rio das Pedras: Polícia Civil dá início a perícia no local onde prédio desabou

Responsável pela construção do imóvel admite aos investigadores que não contratou profissionais especializados para a obra

Adriana Freitas e Thayana Araújo, da CNN, do Rio de Janeiro

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A Polícia Civil começou nesta sexta-feira (4) a perícia no local onde o prédio de quatro andares desabou em Rio das Pedras, na zona oeste do Rio de Janeiro na madrugada de quinta-feira (3). Duas pessoas morreram e outras quatro ficaram feridas.

O delegado Henrique Damasceno, titular da 16ª DP (Barra da Tijuca) informou que o trabalho permitirá que a investigação descubra a real causa do acidente. Não há depoimento previsto para hoje justamente para que os agentes estejam focados no trabalho de campo.

O responsável pela construção do imóvel, o comerciante Genivan Gomes Macedo, de 57 anos, prestou depoimento nesta quinta-feira (3). A CNN teve acesso a todo o conteúdo. Genivan disse à polícia que o vidro de uma janela, do terceiro andar, havia estourado há 15 dias. Mas apesar disso, desconhecia a existência de qualquer problema na estrutura do prédio.

O comerciante relatou que a construção foi “por meios próprios” com ajuda de pedreiros e nunca houve o preparo de uma planta do imóvel ou contratação de profissionais especializados. Genivan não soube informar o nome dos seus ajudantes. O depoimento aconteceu doze horas após a tragédia.

O comerciante contou ainda que fez a construção aos poucos, de acordo com o dinheiro disponível – até que o prédio ficasse com o piso térreo e mais os quatro andares. Todo o processo de construção terminou há dez anos. Segundo ele, o imóvel jamais foi alugado para terceiros e que a construção foi apenas para habitação da família.

Desabamento de prédio residencial em Rio das Pedras, na zona oeste do Rio de Jan
Bombeiros procuram vítimas em desabamento de prédio residencial em Rio das Pedras, na zona oeste do Rio de Janeiro
Foto: Jose Lucena/Thenews2/Estadão Conteúdo

A Polícia Civil montou uma força-tarefa com quatro delegacias para investigar a complexidade do caso que envolve a região onde o desastre aconteceu. Integram o grupo a 32 DP (Taquara), a 16ª DP (Barra), responsável pela causa do desabamento, a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) atuante em tudo que envolve a milícia e a delegacia de Proteção ao Meio Ambiente.

A CNN conversou com um dos delegados, William Pena Jr, titular da Draco, sobre os próximos passos da investigação. Após o depoimento de Genivan a polícia quer ouvir Kiara Abreu, uma das sobreviventes, internada no Hospital Miguel Couto, no Leblon.

“Estamos aguardando a vítima sobrevivente melhorar. Não há condições de pegar depoimento dela agora. Perdeu marido e filha… Queremos saber dela, se a família fez alguma obra que tenha alterado a estrutura do prédio, por exemplo. De repente fizeram alguma reforma, quebraram alguma parede, alguma coluna. São as perguntas básicas que sempre fazemos em relação à milícia local também”, disse Pena Jr.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que Kiara Abreu, de 26 anos, está no CTI e apresenta quadro de saúde grave. O marido da jovem Nathan Gomes de Souza, de 30 anos e a filha, Maitê Gomes Abreu, de apenas 2 anos, morreram na tragédia.

Outras três pessoas tiveram ferimentos leves. A família das vítimas esteve com profissionais da assistência social da prefeitura, na manhã desta sexta-feira, no Instituto Médico Legal para liberar os corpos de pai e filha. Os enterros vão acontecer no cemitério do Caju, na zona norte do RJ.

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