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    Rio e Iabas brigam há 9 meses na Justiça por perícia em hospitais de campanha

    Das 7 unidades previstas, só duas saíram do papel. Contrato era de R$ 835 milhões

    Hospital de campanha para pacientes da Covid-19 no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro
    Hospital de campanha para pacientes da Covid-19 no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro Foto: Rogério Santana/Divulgação Governo do RJ (9.mai.2020)

    Leandro Resendeda CNN

     

    Uma disputa na Justiça que se arrasta há 9 meses impede a apuração sobre as responsabilidades do fracasso dos hospitais de campanha do Rio de Janeiro. A organização social Iabas, contratada para construir sete unidades em abril do ano passado, e o governo do estado brigam em uma ação na Justiça para saber quem irá pagar a perícia, determinada pela 5a Vara de Fazenda Pública em julho do ano passado. A determinação era para que fosse feita uma investigação técnica sobre o que de fato foi feito das unidades de saúde provisórias, contratadas por R$ 838 milhões pelo Rio. Das 7 prometidas para 30 de abril do ano passado, apenas duas funcionaram.

    Depois dos atrasos e das denúncias de corrupção no contrato, mencionadas na discussão do impeachment do governador Wilson Witzel, realizado nesta sexta-feira (30) no Tribunal Especial Misto, Iabas e governo do Rio brigam para saber quem irá pagar a perícia ordenada pela Justiça. A empresa tenta fazer com que o Estado custeie a avaliação técnica do contrato e cobra uma dívida de R$102,3 milhões pela gestão das duas unidades que saíram do papel. 

     

    Enquanto a perícia não é feita e não se sabe de quem é a culpa pelos atrasos e erros na execução dos hospitais de campanha, o governo do Rio de Janeiro prestou esclarecimentos no mês passado sobre o que foi feito das unidades no estado. Ao Ministério Público Federal, o estado informou os seguintes pontos: 

    – dos sete hospitais planejados, só dois foram entregues: o do Maracanã e o de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. Eles foram fechados entre os meses de setembro e outubro “número reduzido de pacientes infectados à época e a existência de leitos em hospitais efetivos”. 

    – três ficaram prontos e não funcionaram: Duque de Caxias, Nova Iguaçu e Nova Friburgo. 

    – dois não ficaram prontos: Casemiro de Abreu e Campos dos Goytacazes. 

    – Os insumos e equipamento dos hospitais provisórios  foram enviados primeiro para unidades da rede estadual, depois para cidades que precisaram abrir leitos COVID e, agora, estão sendo entregues às cidades com menos de 300 mil habitantes. 

    A CNN procurou o governo do Rio através da Procuradoria-Geral do Estado, mas ainda não teve resposta.