RJ: Após mãe morrer tentando proteger filho, comunidade tem novo tiroteio

Na noite dessa quarta-feira (26), Ana Cristina da Silva, de 25 anos, foi morta enquanto tentava proteger o filho durante um tiroteio na comunidade

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Um dia depois da morte de uma mulher que tentava proteger o filho durante um tiroteio, uma nova troca de tiros foi registrada no Complexo do São Carlos, na região central do Rio de Janeiro, no começo da tarde desta quinta-feira (27). Ao colunista Leandro Resende, da CNN, moradores da região relataram momentos de apreensão e orientações para que ficassem em suas casas. 

Em nota à CNN, a Secretaria de Estado de Polícia Civil informou que o setor de inteligência da 6ª DP (Cidade Nova) tinha conhecimento sobre a movimentação de traficantes de uma facção criminosa que pretendiam  tomar o território de comunidades que fazem parte do Complexo do São Carlos, mas frisou que “não havia informação de data e horário definidos”.

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Uma nova troca de tiros foi registrada no Complexo do São Carlos, na região cent
Uma nova troca de tiros foi registrada no Complexo do São Carlos, na região central do Rio de Janeiro
Foto: Reprodução/CNN (27.ago.2020)

 

A Polícia Civil ainda citou que as informações foram repassadas para a Inteligência da Polícia Militar, mas que nenhuma operação foi realizada. “Com a decisão do STF, que determina a realização de operações em hipóteses ‘absolutamente excepcionais’, sem elencar quais seriam essas hipóteses, gerando enorme insegurança jurídica no planejamento, atuação e rotina das polícias, ações preventivas para conter eventuais disputas territoriais ficam fora desse conceito de excepcionalidade por não terem data prevista”, disse, em nota.

Na noite dessa quarta-feira (26), Ana Cristina da Silva, de 25 anos, foi morta enquanto tentava proteger o filho durante um tiroteio na comunidade. De acordo com as informações, a mulher estava indo trabalhar quando a intensa troca de tiros teve início. Ana Cristina se curvou para proteger o filho, de três anos, e foi atingida. Ela morreu no local e sem atendimento. De acordo com informações da plataforma Fogo Cruzado, ao menos 84 pessoas foram atingidas por bala perdida somente neste ano, na Região Metropolitana do Rio — 14 delas morreram.

Leia a nota na íntegra:

A Secretaria de Estado de Polícia Civil informa que há cerca de duas semanas o setor de inteligência da 6ª DP (Cidade Nova) detectou uma movimentação de traficantes de uma facção criminosa que pretendiam  tomar o território de comunidades que fazem parte do Complexo do São Carlos e têm influência de outra facção. Porém não havia informação de data e horário definidos.

Os dados foram  difundidos para a Subsecretaria de Inteligência da Polícia Civil, que repasaou as informações para a Inteligência da Polícia Militar. Apesar da continuidade do monitoramento, não foram captadas mais informações de que o fato seria nesta quarta-feira.

Cabe ressaltar que todas as vezes em que há notícias desse tipo de movimentação, mesmo sem uma definição se o fato ocorrerá efetivamente, as Polícias Civil e Militar planejam ações de ocupação e de capturas de criminosos. O planejamento visa enfraquecer a eventual articulação e movimentação de traficantes nesse sentido.

A Sepol esclarece que respeita e vem cumprindo todas as decisões judiciais.  Com a decisão do STF, que determina a realização de operações em hipóteses “absolutamente excepcionais”, sem elencar quais seriam essas hipóteses, gerando enorme insegurança jurídica no planejamento, atuação e rotina das polícias, ações preventivas para conter eventuais disputas territoriais ficam fora desse conceito de excepcionalidade por não terem data prevista. Dessa forma a decisão obriga que as polícias hajam apenas de forma reativa, pois se enquadra na hipótese de “casos extraordinários” mencionados na decisão do STF.

(Edição: Leonardo Lellis)

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