RJ pagou R$ 9,9 milhões por 300 respiradores que nunca chegaram, diz MP

Hoje, o estado ultrapassou a China em número de casos de Covid-19. São 86.963, com 8.138 mortes pela doença

Modelo de respirador usado em pacientes de Covid-19
Modelo de respirador usado em pacientes de Covid-19 Foto: Stephane Mahe - 20.mar.2020/Reuters/File Photo

Maria Mazzei e Marcela Monteiro, da CNN, no Rio 

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Investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) concluiu que Carlos Frederico Verçosa Duboc, superintendente da Secretaria Estadual de Saúde, foi quem autorizou o pagamento adiantado de R$ 9,9 milhões para a companhia A2A Informática por 300 respiradores que até hoje não foram entregues. Na proposta apresentada pela companhia, foi exigido que 50% do valor fosse pago no ato do pedido. 

Carlos Frederico Verçosa Duboc foi preso na manhã desta quarta-feira (17) na Operação Mercadores do Caos. Ele disse à CNN que vai provar sua inocência. A Secretaria Estadual de Saúde disse que vai exonerar Duboc.

Hoje, o estado do Rio ultrapassou a China, país onde se originou a pandemia do novo coronavírus, em número de casos de Covid-19: 86.963, com 8.138 mortes pela doença, segundo o Ministério da Saúde.

A A2A Informática está entre as três empresas contratadas pelo governo do Rio para o fornecimento de equipamentos para os hospitais de campanha. O contrato com a A2A foi cancelado em maio, logo após a prisão do ex-subsecretário executivo de Saúde, Gabriell Neves — então chefe de Duboc.

Os promotores do MP-RJ ressaltam ainda que, para a compra dos respiradores, a secretaria não orçou valores com nenhuma outra empresa. Outra questão levantada na investigação é o fato de a A2A constar na Receita Federal como sendo uma empresa de pequeno porte e tendo como função principal o comércio varejista de equipamentos de informática. 

Segundo o Ministério Público, os envolvidos no esquema criaram falsas transações comerciais com o objetivo de tentar dar aparência de legalidade às negociações. As investigações indicam que o valor total desviado ultrapassa R$ 18 milhões.

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O dono da A2A Informática, Aurino Batista de Souza Filho, preso na primeira fase da investigação, é acusado pelos promotores de ter repassado R$ 9,7 milhões do valor recebido para a Globalmed Material Hospitalar, com sede em Brasília. Deste total, R$ 679 mil foram repassados para o empresário Anderson Gomes Bezerra, que também foi preso nesta quarta-feira, no Rio de Janeiro. Para os promotores, Anderson é a ligação do governo com as empresas escolhidas para a compra dos equipamentos. 

Cinco mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços relacionados à Globalmed. A CNN tentou contato com representantes da Globalmed Material Hospitalar e da A2A Informática e ainda não obteve retorno. A defesa do empresário Anderson Gomes não foi localizada. 

Enquanto deixava a Cidade da Polícia e seguia, acompanhado pelos policiais, para o presídio de Benfica, Carlos Duboc disse à CNN que estava tranquilo e que irá provar que é inocente. Ele alegou que não sabia onde foram parar os respiradores por ser da área de orçamento e finanças, e não soube explicar sobre o paradeiro dos R$ 18 milhões. 

A Secretaria de Estado de Saúde disse que, desde o dia 3 de junho, “todos os poderes para ordenações de despesas da secretaria foram delegados somente ao secretário Fernando Ferry.” O órgão afirmou ter “compromisso de transparência e de lisura na gestão pública e se coloca à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos a respeito dos fatos.”

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