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    Roraima vai instalar abrigo para acolhimento de yanomamis

    Medida tem previsão de ser efetivada nos próximos 30 dias e a gestão da unidade será compartilhada com o Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami

    Gestão pública do espaço será de responsabilidade da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde
    Gestão pública do espaço será de responsabilidade da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde Igor Evangelista/MS

    Pedro Rafael Vilelada Agência Brasil

    em Boa Vista

    O governador de Roraima, Antonio Denarium, anunciou nesta sexta-feira (3) a instalação de um abrigo estadual para o acolhimento dos indígenas yanomami, que vivem uma crise sanitária no estado.

    O compromisso consta em um ofício encaminhado por Denarium ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A medida tem previsão de ser efetivada nos próximos 30 dias e a gestão da unidade será compartilhada com o Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami (DSEI-Y). As atividades no local devem ser desenvolvidas em parceria entre órgãos do estado e a União.

    “Estive em reunião com os ministros e reafirmo o compromisso com Roraima e com o Brasil. Estamos disponibilizando a estrutura da administração pública do Estado em apoio ao Governo Federal para unirmos forças e sanar a grave crise enfrentada pela população Yanomami. Será um trabalho feito em conjunto e de forma coordenada”, declarou o governador, após se reunir com o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, e com o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, em Brasília.

    O abrigo será instalado em um local de propriedade do governo do estado, a cerca de 200 metros da Casa de Saúde Indígena (Casai) Yanomami, onde também foi instalado um Hospital de Campanha da Força Aérea Brasileira (FAB).

    Segundo o ofício de Denarium enviado a Lula, o espaço será adaptado para acolher os indígenas em tratamento de saúde, “com ambiente seguindo os costumes da etnia”. O edifício principal tem cerca de 500 metros quadrados e um bloco anexo, que funcionará como administração, enfermaria e coleta de exames.

    “O abrigo estadual obedecerá aos hábitos e costumes da etnia, sem que haja nenhum prejuízo à cultura secular dos Yanomami e funcionará durante o período de vigência do decreto de emergência da saúde Yanomami, com instalações que estão localizadas ao lado da Casai, melhorando assim a qualidade dos indígenas acolhidos pela instituição”, diz um trecho do ofício.

    A gestão pública do espaço será de responsabilidade da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde, com apoio da Secretaria da Saúde do Estado e da Secretaria do Trabalho e Bem-Estar Social (Setrabes).

    Desassistência

    Documentos obtidos pela Agência Brasil confirmam que, ao menos desde 2021, o governo federal sabia que índios yanomami estavam sofrendo com a falta de alimentos.

    Mesmo assim, deixou de atender a pedidos da Defesa Civil de Roraima que, à época, manifestou a intenção de colaborar na assistência às comunidades da Terra Indígena Yanomami, que é de responsabilidade federal.

    No ofício enviado a Lula, o governador de Roraima citou programas de assistência social voltados aos indígenas, como o Programa Cesta da Família, de transferência de renda estadual, que atende 11 mil famílias indígenas, que recebem cestas básicas com 32 itens. Também informou que, nos últimos quatro anos, foram realizados mais de 27 mil atendimentos e procedimentos de saúde de indígenas nas unidades hospitalares mantidas pelo governo do estado.

    Edição: Fábio Massalli