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    Sem vagas em abrigos, afegãos voltam a acampar no Aeroporto de Guarulhos

    Grupo de 170 pessoas aguarda vaga em abrigos

    Bianca CamargoGuilherme GamaRenan Fiuzada CNN

    O número de afegãos que aguarda por acolhimento voltou a crescer no Aeroporto de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo. Atualmente são 170 pessoas, sendo 41 crianças, acampadas, segundo dados da ONG Organização de Resgate dos Refugiados Afegão.

    A alimentação e kits de higiene estão sendo fornecidos pela prefeitura de Guarulhos em parceria com ONGs que atuam na assistência ao refugiado.

    “Levantamos a contagem diariamente por meio de um voluntário afegão in loco para mandar a quantidade correta de refeições de almoço e janta, que vem por meio da prefeitura de Guarulhos/SP durante a semana, e nos finais de semana por meio de ONGs”, explica Ana Paula, vice-presidente da ONG Organização de Resgate dos Refugiados Afegão.

    Cobertores e colchonetes são entregues aos afegãos acampados por meio de doações para ajudar as pessoas acampadas no aeroporto, e também “verificamos se necessidades mais específicas como fraldas, lenços umedecidos e absorventes para mandar e se há casos de saúde”, diz Ana.

    De acordo com a Prefeitura de Guarulhos, a cidade possui 257 vagas em abrigos, sendo que 50 delas são geridas pelo governo estadual. No momento, todas estão lotadas.

    A Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social informou, em nota, que está em tratativas avançadas para acolher mais 150 refugiados em um complexo na região metropolitana de São Paulo.

    O local, segundo a pasta, poderá atender até 300 pessoas. “Os primeiros a serem transferidos serão os afegãos que permanecem acampados no aeroporto”, segundo texto.

    Em nota, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) informou estão acompanhando a situação dos refugiados e apoia o estado e o município nas medidas de proteção.

    “As ações na área de assistência social realizam-se de forma articulada, cabendo as normas gerais ao governo federal e a execução dos programas ao Governo Federal e aexecução dos programas, em suas respectivas esferas, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios”, diz a pasta.

    As ONGs estão tentando também parcerias para banhos, para que os refugiados possam se higienizar. mas segundo a Ana Paula, “às vezes conseguimos local, mas é muito difícil conseguir transporte”.

    Surto de sarna

    Em junho deste ano, cerca de 25 refugiados afegãos que estavam abrigados no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, foram diagnosticados com escabiose, doença também conhecida como sarna.

    Os primeiros casos foram detectados em junho por médicos da prefeitura de Guarulhos e confirmados por organizações que atuam no auxílio às famílias recém-chegadas ao Brasil.

    Os refugiados foram encaminhados para um abrigo em Praia Grande, litoral do estado de São Paulo.

    Histórico

    O fluxo de refugiados afegãos se intensificou em fevereiro de 2022, e o volume de pessoas que chega é maior do que a capacidade de atendimento. Por isso, o local virou uma espécie de acampamento para os novos grupos.

    Todos têm o visto humanitário, um documento de acolhida concedido pelo governo federal. A portaria foi publicada em 2021, um mês depois que as tropas americanas encerraram 20 anos de intervenção militar no Afeganistão e o grupo extremista Talibã voltar ao poder. Com isso, milhares de pessoas precisaram fugir do país.

    As vagas de acolhimento são rotativas, e o tempo de permanência varia. As pessoas podem permanecer nos equipamentos por tempo indeterminado até comprovarem condições de moradia autônoma.