Solto, Queiroz pede autorização da PM do Rio para adquirir arma de fogo

Subtenente reformado ainda é investigado por envolvimento em dois homicídios ocorridos há quase duas décadas

Foto de arquivo de Fabrício Queiroz
Foto de arquivo de Fabrício Queiroz Foto: Reprodução/ Facebook

Leandro Resendeda CNN

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O ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) Fabrício Queiroz pediu autorização para a Polícia Militar do Rio de Janeiro para adquirir e portar uma arma de fogo. Denunciado pelo Ministério Público como operador financeiro do esquema de “rachadinhas” no gabinete do filho do presidente Jair Bolsonaro quando ele era deputado estadual, Queiroz ficou preso por atrapalhar as investigações do caso entre junho de 2020 e março deste ano, quando a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça concedeu liberdade a ele e a esposa, Márcia Aguiar. Ele é subtenente reformado da PM do Rio.

Há duas semanas, Queiroz foi submetido e aprovado sem ressalvas por uma Junta Ordinária de Inspeção de Saúde, um colegiado que analisa se um policial militar pode ou não portar arma de fogo – diferente da posse, o porte é a permissão para que a pessoa ande e utilize o armamento. De acordo com a apuração da CNN, é um procedimento padrão feito pela PM para avaliar se policiais, da ativa ou reformados, estão aptos a portar uma arma de fogo. Dependendo do parecer da junta médica, o policial pode plenamente apto; apto com restrições determinadas e proibido de portar a arma de fogo.

Ao pedir a prisão de Queiroz por obstruir as investigações do caso das “rachadinhas”, em junho do ano passado, o MP cita por duas vezes a “alta periculosidade” do ex-assessor e sua “capacidade técnica para o emprego de armas de fogo, além de histórico de mortes violentas”. Os promotores sublinham a existência de investigações sobre o policial reformado e seu “domínio no manuseio de armas de fogo” e sua “índole violenta”.

Queiroz, Flávio Bolsonaro e outras 15 pessoas foram denunciadas pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O MP acusa o senador de desviar mais de R$ 6 milhões no esquema de retenção de parte dos salários dos funcionários que mantinha em seu gabinete. Só Queiroz movimentou mais de R$ 2 milhões entre 2007 e 2018.

Outras investigações

Queiroz aparece em dois inquéritos envolvendo mortes cometidas pela polícia na Cidade de Deus, favela da Zona Oeste do Rio, nos anos 2000. Em um dos episódios, ocorrido em 2003, ele estava ao lado de Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-policial militar acusado de comandar uma milícia na Zona Oeste do Rio e morto em fevereiro do ano passado na Bahia. Os dois estavam juntos em uma abordagem que terminou com a morte do técnico de refrigeração Anderson Rosa de Souza. A investigação segue em aberto após ganhar novo fôlego em 2020, após pedidos de produção de novas provas feitas pelo MP do Rio.

O ex-assessor também aparece como investigado pela morte de Genesis Luiz da Conceição da Silva, em 2002. O caso ocorreu após um baile funk na Cidade de Deus e terminou com outra pessoa baleada. Quase 19 anos depois do episódio o sobrevivente ainda não prestou depoimento no inquérito e as armas não passaram por perícia. O caso segue em aberto após o MP rejeitar seu arquivamento três vezes desde 2019.

Procurada para comentar a reportagem, a defesa de Fabrício Queiroz não quis se manifestar.

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