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    Solução para Cracolândia pede foco nas pessoas, não na droga, avaliam especialistas

    Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou à CNN, nesta sexta-feira (21), que não descarta propor a internação compulsória como medida extrema

    Letícia BritoLéo Lopesda CNN

    em São Paulo

    Especialistas afirmaram à CNN que uma solução para a crise na Cracolândia, em São Paulo, demanda políticas de longo prazo, com inclusão de áreas além da segurança pública, e que concentrem a discussão nas pessoas daquela região.

    O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou à CNN, na sexta-feira (21), que não descarta propor a internação compulsória como medida extrema para tentar resolver o problema. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), disse à CNN que concorda “em 100%” com o governador.

    Em entrevista à CNN, Aluízio Marino, coordenador do LabCidade, e Jacqueline Valadares, presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de SP (Sindpesp), discutiram qual a política correta a ser adotada na região.

    “Infelizmente, o que vemos é a retomada de políticas que há 30 anos se desenrolam nesse território. A gente não vê nenhuma novidade. Em geral, parece que a intenção é esconder o problema, e não enfrentar ele de forma correta”, avaliou Marino, que também é pós-doutorando na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP.

    “Precisamos descolar o debate, que se centra na droga, para um debate centrado nas pessoas que vivem nesse território. Não somente as pessoas em situação de rua, mas moradores e comerciantes, que estão todos sofrendo com essa política equivocada, que em 30 anos não foi capaz de resolver os problemas, e só está aumentando os conflitos e índices de insegurança e criminalidade”, acrescentou.

    Jacqueline acrescentou que “a política que vem sendo adotada ao longo das últimas décadas não leva em consideração que não vai se resolver esse problema da noite pro dia ou em uma única gestão”.

    “É um projeto que deve ser feito a longo prazo e passa por medidas efetivas e permanentes que vão permear não somente a área da Segurança Pública, como é geralmente tratado, mas também a Assistência Social e a Saúde”, afirmou.

    “É importante sim o combate ao narcotráfico para evitar que as drogas cheguem nessa região e alimentem esse comércio, mas é importante também que consigamos perceber quem são essas pessoas que estão ali: quem são traficantes, quem são usuários que precisam de tratamento, quem são as pessoas com famílias procurando. É preciso um olhar para quem são aqueles seres humanos ali”, completou.