SP: Prefeitos defendem segurada para evitar morte e adotam lockdown no interior

Algumas prefeituras estão adotando medidas ainda mais drásticas que as previstas no Plano SP divulgada pelo governo

Bares e restaurantes têm serviços afetados em São Paulo com medidas de restrição.
Bares e restaurantes têm serviços afetados em São Paulo com medidas de restrição. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Estadão Conteúdo

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Prefeitos das principais cidades do interior reagiram com menor resistência à decisão do governo estadual de colocar sete das principais regiões do interior na fase vermelha do Plano São Paulo. Algumas prefeituras estão adotando medidas ainda mais drásticas que as previstas no plano. “Ou fecha ou vai morrer gente nos corredores”, disse o prefeito de Franca, Alexandre Ferreira (MDB), que antes resistia ao fechamento. Já a prefeitura de Taubaté anunciou lockdown, com toque de recolher noturno.

A partir de segunda-feira (25), as regiões de Barretos, Bauru, Franca, Marília, Presidente Prudente, Sorocaba e Taubaté serão obrigadas a fechar comércios e serviços não essenciais. As demais, incluindo a Grande São Paulo, ficarão na fase laranja, mas com restrições da vermelha em dias úteis após às 22 horas e integralmente nos finais de semana e feriados. As medidas vigoram até o dia 7 de fevereiro.

‘Agora é guerra’

“Infelizmente, agora é guerra, agora é hora de a gente entender e dar uma segurada. Não tem outro jeito de segurar a transmissão senão fechar”, disse o prefeito de Franca, ao confirmar a adesão integral ao plano. Na semana anterior, ele tinha se insurgido contra a volta da cidade à fase laranja, com menos restrições. “Eu continuo contra (o fechamento das atividades), mas agora temos que ter responsabilidade. Não temos mais nenhuma capacidade física de abrir novos leitos na região”, afirmou. Ele disse ter pedido aos prefeitos da região que também fechem o que não é essencial.

A cidade estava com 90,3% dos leitos de UTI ocupados na manhã desta sexta (22), mesmo depois de ter aumentado o total de 79 para 100 leitos. Ferreira citou os impactos do fechamento para a economia local, mas admitiu que, diante do esgotamento da capacidade hospitalar, é preciso fazer o possível para evitar mortes. “Se a gente não segurar a onda agora, vai morrer gente sem atendimento nos corredores. Ou a gente faz isso, ou vai se transformar numa Manaus”.

O município criou canais para que a população denuncie aglomerações e descumprimento das medidas. Além de serem multados, os infratores serão denunciados ao Ministério Público por crime contra a saúde pública.

Após ser inserida na fase vermelha do plano estadual, a prefeitura de Taubaté anunciou lockdown, com toque de recolher das 23 da noite às 5 da madrugada, a partir de segunda. Durante o dia, só farmácias, padarias, mercados, postos de combustíveis, lavanderias e hotelarias poderão funcionar, mas com restrições de público. A taxa de ocupação de leitos de UTI e enfermaria permanece em 100%, com 109 pessoas internadas, segundo boletim desta sexta. Já são 13.008 casos e 231 mortes.

Em Birigui, após a cidade ser incluída na fase vermelha, enfrentando ainda uma greve de servidores da saúde, a prefeitura decretou estado de calamidade pública. Conforme o prefeito Leandro Maffeis (PSL), a medida foi necessária para não agravar o quadro da saúde no momento em que são necessárias ações emergenciais para enfrentar o recrudescimento da pandemia.

“Este decreto tem como finalidade assegurar à nossa população a prestação dos atendimentos de forma adequada na saúde”, disse. A greve atinge o atendimento em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e na Santa Casa, conveniada com o município. Médicos e funcionários reclamam de falta de pagamento. O decreto permite contratações emergenciais.

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