SP registra menor número de homicídios desde 2001 e furtos de celular em alta

São Paulo atingiu o maior patamar de furtos acumulados nos sete primeiros meses de um ano desde 2001, quando começa a série histórica divulgada pela Secretaria de Segurança; principal alvo dos criminosos continua a ser o celular, sobretudo pela possibilidade de transferências via Pix

São Paulo acumula 1.489 homicídios dolosos entre janeiro e julho deste ano. O total representa uma queda de 9,97% em relação ao mesmo período de 2022
São Paulo acumula 1.489 homicídios dolosos entre janeiro e julho deste ano. O total representa uma queda de 9,97% em relação ao mesmo período de 2022 Steve Prezant/Getty Images

João Ker, do Estadão Conteúdo

São Paulo registrou queda histórica nos homicídios dolosos em julho, segundo números da Secretaria de Segurança Pública do Estado.

No entanto, SP atingiu o maior patamar de furtos acumulados nos sete primeiros meses de um ano desde 2001, quando começa a série histórica divulgada pela secretaria.

Ainda de acordo com os dados divulgados pela SSP, apenas 162 casos de homicídio doloso foram registrados em todo o estado ao longo de julho, o menor total para o período de um mês desde que a pasta passou a divulgar os boletins.

Esta é a quarta queda consecutiva no total mensal dos homicídios dolosos em São Paulo, que teve 170 vítimas em julho.

Essa redução das ocorrências é de aproximadamente 37%, em relação ao mesmo período do ano passado. A última vez que o Estado chegou perto desse resultado foi no mesmo mês de 2019, quando 186 crimes desse tipo foram registrados oficialmente, contra 193 pessoas.

Na soma geral, São Paulo acumula 1.489 homicídios dolosos entre janeiro e julho deste ano. O total representa uma queda de 9,97% em relação ao mesmo período de 2022, quando os casos desse tipo haviam chegado a 1.654 em todo o Estado.

Furtos em patamar histórico

Os furtos registrados em São Paulo também atingiram um patamar histórico no último mês, mas na tendência inversa. Foram 46.379 casos no Estado apenas em julho.

Assim, o total de registros nos sete primeiros meses deste ano chegou ao recorde de 333.052, o maior para o período desde que a série histórica começou, em 2001.

Este é também o maior pico para ocorrências de furtos em julho desde 2008, quando o total chegou a 47.652 notificações. Nos sete primeiros meses daquele ano, entretanto, o acumulado ainda ficou menor do que o atual.

De forma tímida, os roubos também diminuíram no Estado e chegaram a 18.307 registros em julho, queda de 5,4% em relação ao mesmo período do ano passado. No comparativo com o mês anterior, o aumento é de 200 casos.

O principal alvo dos criminosos continua a ser o celular, sobretudo pela possibilidade de transferências via Pix.

A Polícia Civil de São Paulo prendeu no dia 8 deste mês um homem apontado como o maior receptador de celulares do Brasil. Foram encontrados 312 aparelhos em um endereço ligado ao suspeito, no centro da capital paulista. A hipótese é de que o local funcionava como uma espécie de central do golpe.

“Ele extraía os dados, cometia os golpes nesses aparelhos celulares e, em seguida, enviava esses aparelhos para outros países, para que eles pudessem ser comercializados”, disse o delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian.

Em nota, a SSP disse que “segue empenhada para combater os casos de furtos em todo o Estado e intensificou as ações principalmente contra os receptadores”.

“Para coibir os furtos de celulares, por exemplo, a Polícia Civil realiza operações como a Mobile, sendo que somente na capital foram 964 estabelecimentos fiscalizados com 318 presos só por este tipo de crime. O mesmo vale para os furtos de veículos, com uma divisão especializada em roubos e furtos de veículos, por meio da 1.ª Delegacia de Investigações sobre Roubo e Furto de Veículos (DIVECAR) do Deic. O policiamento ostensivo e preventivo foi reforçado com a Operação Impacto e as ações integradas entre as polícias possibilitaram a prisão de mais de 110 mil suspeitos no ano, aumento de 6,8%, e retirada de 6,5 mil armas de fogo das ruas”, informa a nota oficial.

Já os estupros cometidos no Estado de São Paulo também tiveram uma leve queda em julho, com 1.061 casos registrados, o que representa apenas dez ocorrências a menos do que no mesmo período do ano passado.

Mortes em queda no Brasil

O Brasil registrou 47.508 mortes violentas intencionais em 2022, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado em julho. É a menor taxa desde 2011, início da série histórica monitorada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, responsável pelo estudo. Naquele ano, o país registrou 47.215 mortes.

O número de 2022 ainda representa uma queda de 2,4% em relação a 2021, quando 48.431 pessoas morreram. Os dados mostram que o país registra, em média, 23,4 mortes violentas por 100 mil habitantes.

As mortes violentas intencionais incluem vítimas de homicídio doloso, latrocínios, lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais, além de policiais assassinados.

Conforme o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mesmo pequena, a queda é positiva e precisa ser realçada. Entretanto, os dados também revelam limites metodológicos e problemas que devem ser destacados, sob o risco de a população ser induzida a acreditar na ideia de que o país é mais seguro.

(Com informações de Douglas Porto, da CNN)