Após 420 dias, delegada casada com homem que matou gari volta ao trabalho
Medida concede à servidora ajustamento funcional pelo prazo de 90 dias, de 7 de outubro a 4 de janeiro de 2027

A delegada Ana Paula Lamego Balbino, esposa de Renê da Silva Nogueira Júnior, réu pela morte de um gari em agosto de 2025, retornou ao cargo na Polícia Civil de Minas Gerais após mais de 400 dias afastada.
A decisão foi publicada no DOE (Diário Oficial do Estado) desta quinta-feira (15). Segundo a corporação, a publicação concede à servidora ajustamento funcional pelo prazo de 90 dias, de 7 de outubro a 4 de janeiro de 2027.
Ana Paula está afastada da corporação desde 27 de agosto de 2025, dois dias após o crime. Na ocasião, ela foi indiciada por porte ilegal de arma de fogo, já que o armamento utilizado pelo marido pertencia a ela.
Em depoimento, a delegada afirmou que nunca autorizou o marido a portar ou utilizar suas armas.
Delegada tem conduta investigada
Em abril deste ano, a Polícia Civil instaurou um PAD (Processo Administrativo Disciplinar) para investigar a conduta e possíveis infrações da delegada no caso. Laudemir de Souza Fernandes foi morto a tiros com uma arma que pertencia à Ana Paula.
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De acordo com as investigações, Renê saiu de casa com o armamento da esposa e se envolveu em uma discussão de trânsito devido à coleta de lixo na região, que ocasionava breve retenção dos carros.
O Mnistério Público aponta que o acusado portava ilegalmente a pistola no interior de seu veículo.
Posteriormente, ele teria tentado induzir a perícia a erro, orientando sua esposa – delegada da Polícia Civil – a entregar apenas uma das armas registradas em seu nome, ocultando a utilizada no homicídio.
Renê foi denunciado por homicídio triplamente qualificado, porte ilegal de arma de fogo, ameaça e fraude processual.
Já a delegada foi afastada da corporação dois dias após o crime e foi indiciada pela prática de crimes de porte ilegal de arma de fogo.
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Cronologia do caso
- Manhã de 11 de agosto de 2025: Laudemir foi morto a tiros por Renê enquanto trabalhava na coleta de resíduos em um bairro de Minas Gerais. O empresário alegou que o caminhão que o gari estava "atrapalhava o trânsito";
- 11 de agosto de 2025: horas depois Renê foi encontrado em uma academia do bairro;
- 12 de agosto de 2025: A Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Minas Gerais instaurou um inquérito para investigar se a arma de Ana Paula, delegado e esposa de Renê, foi utilizada no crime;
- 13 de agosto de 2025: após audiência de custódia foi decretada a prisão preventiva do empresário (ele já possuía histórico criminal de violência doméstica e atropelamento com vítima fatal); imagens do momento do crime são divulgadas;
- 14 de agosto de 2025: gravação do interrogatório de Renê é divulgada; defesa solicitou remédio controlado e veto sobre registros fotográficos no sistema carcerário;
- 15 de agosto de 2025: Justiça de Minas Gerais autorizou a quebra de sigilo de dados telefônicos e telemáticos do empresário; polícia confirma que a arma pertencia à Ana Paula;
- 18 de agosto de 2025: defesa de empresário deixa o caso; Renê confessa ter assassinado Laudemir;
- 19 de agosto de 2025: MP pede bloqueio de bens de empresário e esposa; nova defesa assume o caso;
- 21 de agosto de 2025: Justiça nega bloqueio de bens;
- 26 de agosto de 2025: Carta escrita por Renê diz que crime foi "acidente"; terceira troca de defesas;
- 27 de agosto de 2025: Ana Paula é afastada do cargo de delegada por motivos de saúde;
- 29 de agosto de 2025: polícia conclui inquérito sobre o caso;
- 12 de setembro de 2025: MP denuncia e pede júri popular sobre o caso;
- 15 de setembro de 2025: Renê vira reú por assassinar Laudemir;
- 6 de novembro de 2025: Justiça nega anulação da confissão do empresário;
- 28 de janeiro de 2026: Justiça determina que Renê vá a júri popular.


