Empresário acusado de matar gari vira réu em Belo Horizonte

Caso ocorreu em agosto deste ano; MP pediu júri popular

Bruna Lopes, da CNN*, Felipe Souza, da CNN, em São Paulo
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O TJMG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais) aceitou a denúncia oferecida pelo MPMG (Ministério Público de Minas Gerais) contra o empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, acusado de matar um gari em Belo Horizonte (MG) no dia 11 de agosto.

Com a aceitação da denúncia, o empresário, que teve a prisão preventiva mantida pela Justiça, passa da condição de denunciado para a de réu.

Laudemir de Souza Fernandes, de 44 anos, foi assassinado a tiros após uma briga de trânsito com o acusado. Renê foi encontrado horas depois do crime em uma academia.

O promotor de Justiça Claudio Barros, coordenador Estadual das Promotorias de Justiça do Tribunal do Júri, em entrevista coletiva cedida em 12 de setembro, explicou as fundamentações do MPMG para a assinatura da denúncia.

Conforme a promotoria, o crime teria sido cometido por motivo fútil após uma discussão de trânsito devido à coleta de lixo na região, que ocasionava breve retenção dos carros. O MP aponta ainda que o acusado portava ilegalmente uma pistola no interior de seu veículo.

Posteriormente, ele teria tentado induzir a perícia a erro, orientando sua esposa – delegada da Polícia Civil – a entregar apenas uma das armas registradas em seu nome, ocultando a utilizada no homicídio. As armas pertenciam à Ana Paula Balbina.

Renê foi denunciado por homicídio triplamente qualificado, porte ilegal de arma de fogo, ameaça e fraude processual.

Prisão preventiva mantida

A prisão em flagrante do empresário foi convertida para preventida em audiência de custódia, e agora mantida pela Justiça. De acordo com o MP, a prisão é necessária mediante a gravidade dos fatos e risco de comprometimento da instrução criminal.

“O homicídio cometido em plena luz do dia, em via pública movimentada e contra trabalhador que exercia função essencial, chocou não apenas a capital mineira, mas todo o país, sendo inadequadas medidas cautelares alternativas à prisão”, destaca o promotor de Justiça Claudio Barros.

A promotoria apontou ainda que o denunciado se contradizeu nas versões apresentadas e tentou alterar provas relevantes, como no episódio em que buscou substituir a arma usada no crime, o que reforça o risco de interferência na coleta de provas caso ele esteja em liberdade.

Cabe a Justiça de Minas Gerais dar andamento no processo e seguir com as decisões judiciais.

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo