Brasileira com vida de luxo em Dubai já foi condenada por estelionato
Isabela Barros passou cerca de um ano presa e recebeu o perdão da pena em 2025; empresária ainda é investigada por golpes e estelionato

Vivendo uma vida de luxo em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, a cantora gospel e empresária brasileira Isabela Cristi Gomes Barros, de 32 anos, já foi condenada por estelionato e crime contra a economia popular em Minas Gerais.
Isabela recebeu o perdão de sua pena em 2025, porém, é investigada pela Polícia Civil de Minas Gerais, suspeita de continuar aplicando golpes em Minas Gerais e no Rio de Janeiro.
De acordo com as investigações, ela é apontada como uma das responsáveis por um suposto esquema de pirâmide financeira que teria causado prejuízo para cerca de 300 pessoas. Ela e o marido, David Robson de Barros, se apresentavam como proprietários de uma empresa de investimentos que prometia retorno de 100% sobre o valor aplicado pelas vítimas em apenas 40 dias.
Luxo em Dubai
Nas redes sociais, Isabela mostra os detalhes da sua vida fora do Brasil e divulga sua empresa de investimentos. Se apresenta, também, como criadora de conteúdo "lifestyle", modelo e cantora gospel.
Em uma publicação recente, a influenciadora afirma ter se tornado oficialmente residente dos Emirados Árabes Unidos e que sua empresa agora funciona no país. Segundo ela, a Izarah International Investment Group está completamente legalizada e cumprindo todas as exigências legais do local.
"Só Deus sabe tudo o que enfrentei para chegar até aqui. Só Ele conhece as noites em que chorei, as injustiças que vivi, as portas que se fecharam e a força que Ele me deu para não desistir. Nos últimos dias tentaram me derrubar mais uma vez, mas eu tinha a certeza de que não existe vitória sem luta. Eu sabia que Deus estava preparando uma vitória muito maior." afirma na publicação.
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Entenda a condenação
Isabela foi presa temporariamente em maio de 2022 enquanto era investigada. No mesmo mês, a prisão foi convertida em preventiva e a justiça concedeu a prisão domiciliar com monitoração eletrônica, por ela ser mãe de uma criança de dois anos de idade.
Após casos de descumprimento da monitoração eletrônica, como mudança de endereço sem autorização, a prisão domiciliar foi revogada em junho de 2023 e nova prisão preventiva foi decretada.
Porém, um habeas corpus foi concedido em setembro, reestabelecendo a prisão domiciliar. Segundo o TJMG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais), a mudança de endereço foi justificada por uma ameaça à segurança, devido a uma tentativa de sequestro sofrida por Isabela e seu marido.
Em maio de 2024, a mulher foi condenada a 9 anos, 6 meses e 10 dias de reclusão em regime fechado, que foi iniciada em dezembro do mesmo ano. O Tribunal, no entanto, reduziu sua pena final para 4 anos, 4 meses e 21 dias após recurso de apelação, considerando a filha de Isabela.
Já em junho de 2025, a mulher tem a prisão domiciliar autorizada novamente e, no mês seguinte, recebeu o indulto (perdão da pena) pelos crimes.
Os motivos para encerrar o cumprimento da pena, segundo o TJMG, foram:
- Maternidade: por ser mãe de uma criança menor de 14 anos, o decreto permitiu que o tempo de prisão necessário para ganhar o perdão fosse reduzido pela metade.
- Tipo de Crime: os crimes são considerados sem violência ou grave ameaça.
- Tempo de Pena Cumprido: A justiça decidiu que o tempo que ela passou em prisão provisória e domiciliar deveria ser contado como pena cumprida, que, somados, totalizam 1 ano, 7 meses e 17 dias.
- Bom Comportamento: ela não cometeu faltas disciplinares graves nos doze meses anteriores à data do decreto, cumprindo o requisito de bom comportamento.
Em nota enviada á CNN Brasil, Isabela afirma que "repudia" todas as alegações de golpe e que, desde que chegou a Dubai, não está aceitando novos investimentos em sua empresa.
Confira nota completa na íntegra:
"Diante das recentes acusações e manifestações públicas envolvendo meu nome, venho a público prestar os seguintes esclarecimentos.
Toda essa situação teve início após o encerramento de um vínculo de amizade que eu mantinha com uma determinada pessoa. Após o rompimento dessa relação, essa pessoa afirmou diretamente a mim que possuía contato com uma profissional de um canal de televisão e que faria com que meu nome voltasse a ser divulgado pela imprensa. Mantenho registros dessas comunicações, que poderão ser apresentados às autoridades competentes, caso necessário.
Posteriormente, passaram a ser divulgadas alegações de que eu teria causado a essa pessoa um prejuízo superior a R$ 300.000,00 e de que eu teria feito mais de 100 novas vítimas enquanto residindo em Dubai. Contesto integralmente essas alegações.
Esclareço que atualmente sou residente dos Emirados Árabes Unidos. Não me encontro no país na condição de turista. Sou empresária, possuo empresa regularmente constituída nos Emirados Árabes Unidos e desenvolvo minhas atividades de forma legal.
Desde o meu retorno a Dubai, não aceitei novos investimentos de terceiros, inclusive porque minha empresa, embora regularmente constituída, ainda se encontra em fase de preparação para seu lançamento oficial. Dessa forma, desconheço qualquer pessoa que alegue ter realizado novos investimentos comigo ou sofrido qualquer prejuízo decorrente de fatos supostamente ocorridos após minha mudança para os Emirados Árabes Unidos.
Repudio, igualmente, as afirmações de que eu estaria em situação irregular nos Emirados Árabes Unidos. Sempre respeitei as decisões das autoridades competentes, do Poder Judiciário e da Polícia Federal. Minha posição é de que, caso existisse qualquer impedimento legal para minha saída do Brasil, eu não teria realizado normalmente todos os procedimentos migratórios no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
Em relação à decisão que envolvia meu passaporte, esclareço que existe documentação referente a um acordo firmado com o advogado da parte, a qual permanece sob minha guarda e sob a guarda do meu departamento jurídico.
Além disso, possuo vídeos, registros e outras comprovações que demonstram que, no momento em que eu me encontrava na fila da imigração no Aeroporto Internacional de Guarulhos, o referido advogado estava em contato telefônico comigo, orientando-me quanto aos procedimentos relacionados à minha viagem.
Esclareço, ainda, que o vídeo posteriormente divulgado nas redes sociais e também por canais de televisão foi enviado, originalmente e de forma exclusiva, ao referido advogado, com o único objetivo de informá-lo de que o procedimento migratório no Aeroporto Internacional de Guarulhos havia transcorrido normalmente e de que não seria necessária qualquer intervenção junto à Polícia Federal.
A gravação foi realizada no momento em que confirmei que todos os procedimentos migratórios haviam sido concluídos sem qualquer impedimento. A reação registrada no vídeo referia-se exclusivamente à confirmação de que minha viagem havia ocorrido de forma regular, conforme as orientações que eu vinha recebendo, não possuindo qualquer relação com clientes ou qualquer intenção de desrespeitar, debochar ou ofender quem quer que fosse.
Por essa razão, repudio as interpretações posteriormente atribuídas a esse vídeo, especialmente aquelas que buscaram fazer crer que seu conteúdo representaria uma manifestação de deboche em relação a clientes, interpretação que não corresponde aos fatos nem ao contexto em que a gravação foi realizada.
Repudio também a reutilização de reportagens originalmente divulgadas no ano de 2022 como se retratassem a realidade atual.
Os fatos relacionados àquelas reportagens foram submetidos à investigação, ao devido processo legal e à apreciação do Poder Judiciário. Ao final desse trâmite, houve o encerramento do processo criminal com a extinção da punibilidade, ocorrida em novembro de 2025.
Possuo documentos e outros elementos que demonstram a inconsistência dessas acusações, os quais serão apresentados exclusivamente às autoridades competentes, dentro dos procedimentos legais cabíveis.
Meus advogados já estão adotando todas as medidas judiciais cabíveis para apurar eventuais práticas de calúnia, difamação, injúria e demais ilícitos eventualmente configurados, bem como para responsabilizar aqueles que tenham divulgado ou reproduzido informações falsas ou ofensivas.
Da mesma forma, comentários, ameaças, ofensas e demais manifestações publicadas por terceiros em redes sociais e outros meios digitais também estão sendo analisadospelo meu departamento jurídico.
Aproveito para esclarecer que os pagamentos destinados aos clientes que possuem valores a receber estão sendo feitos, existindo documentação comprobatória desse procedimento. Todos os clientes que solicitaram saque encontram-se sendo comunicados por meio do canal oficial de atendimento.
Por fim, reafirmo meu compromisso com a verdade, com a transparência, com o respeito às instituições e com o devido processo legal.
Em razão das medidas judiciais em andamento, este será meu único pronunciamento público sobre o tema neste momento, permanecendo quaisquer esclarecimentos adicionais restritos às autoridades competentes e aos meus representantes legais."
*Sob supervisão de Rafael Saldanha


