Piloto parece ter tentado causar o menor dano possível, diz coronel da FAB
Avião de pequeno porte caiu sobre prédio no bairro Silveira, em Belo Horizonte, deixando dois mortos e três feridos
Um avião de pequeno porte caiu e atingiu um prédio residencial no bairro Silveira, em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, na tarde desta segunda-feira (4). O acidente resultou na morte do piloto e do copiloto, além de deixar outros três feridos.
Em entrevista ao CNN 360°, Ênio Beal Júnior, piloto e coronel da reserva da FAB (Força Aérea Brasileira), avaliou a conduta da tripulação diante da emergência. Segundo ele, as evidências iniciais sugerem que o piloto agiu para minimizar os danos às pessoas em terra. "Ele tentou colocar o avião numa região muito difícil, mas onde ele provocasse o menor dano possível para quem está ali abaixo em terra", afirmou Ênio Beal Júnior.
Investigação em amadamento
A Força Aérea Brasileira, por meio do CENIPA (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), e a Polícia Civil de Minas Gerais já iniciaram as investigações sobre o ocorrido. De acordo com Ênio Beal Júnior, os investigadores realizarão o que se denomina "ação inicial", levantando todas as informações disponíveis tanto no local do acidente quanto no histórico anterior ao evento.
"Nada é afastado neste momento preliminar", pontuou o especialista, ressaltando que a investigação buscará identificar os fatores contribuintes e apontar oportunidades de melhoria para que episódios semelhantes não se repitam.
Ênio Beal Júnior explicou que a análise será conduzida a partir de três pilares fundamentais: o homem, o meio e a máquina. No que diz respeito ao piloto, serão verificados aspectos como o estado de repouso, a saúde e eventuais contratempos pessoais antes do voo. Quanto à aeronave, os investigadores avaliarão se a manutenção estava em dia, onde foi realizado o abastecimento e se havia alguma irregularidade no combustível. As condições meteorológicas no momento do acidente também serão consideradas.
Treinamento e prioridades do piloto em emergências
O especialista destacou que todo piloto recebe treinamento específico para situações de emergência, seguindo três prioridades essenciais: voar a aeronave, navegar e, por último, comunicar. Segundo Ênio Beal Júnior, isso explica por que o piloto pode não ter fornecido explicações detalhadas ao controle de voo. "É muito mais importante ele cuidar da pilotagem em si, ou seja, tentar manter o avião voando e fazer um pouso de emergência", disse.
O especialista também mencionou que uma pane de motor é uma das hipóteses a ser investigada. Nesse cenário, o piloto teria uma série de procedimentos a executar nos controles da aeronave na tentativa de reativar o motor. Ênio Beal Júnior ressaltou ainda a importância do trabalho dos investigadores ao analisarem os destroços, verificando detalhes como a posição da manete de potência, da manete de mistura e o estado da hélice no momento do impacto. "Pode ser tanta coisa que ninguém tem condições de dizer exatamente o que aconteceu", concluiu, reforçando que qualquer hipótese prematura seria desrespeitosa com as famílias das vítimas.


