Trans morta relatou comportamento agressivo de funcionários de pastelaria

A Polícia Civil de Minas Gerais divulgou na sexta-feira (14) que identificou os responsáveis pela agressão; a empresa se pronunciou e disse que colabora com as investigações

Daniela Mallmann, da CNN Brasil, Belo Horizonte
Alice Martins Alves, mulher trans que morreu ao sair de um bar em MG, deixou uma avaliação dizendo que foi mal atendida pelos funcionários   • Reprodução
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Alice Martins Alves, de 33 anos, mulher trans que foi morta após sofrer agressões de dois funcionários de uma pastelaria em Belo Horizonte (MG), já tinha relatado comportamento agressivo dos atendentes do local.

Em um comentário feito em uma plataforma online, há cerca de três meses, Alice avaliou o local com apenas uma estrela e comentou que quase havia sido agredida e que não retornaria mais ao local. O print com a avaliação de Alice foi divulgado à imprensa neste sábado (15) pelo advogado da família, Tiago Leonir. Veja abaixo:

Alice Martins morreu dia 23 de outubro após duas semanas internada depois de ser agredida • Reprodução
Alice Martins morreu dia 23 de outubro após duas semanas internada depois de ser agredida • Reprodução

 

Na avaliação, Alice ainda relatou que, na ocasião, os funcionários a acusaram de não pagar a conta, o que teria sido a motivação das agressões no dia 23 de outubro que depois resultaram na morta da mulher.

"Essa criatura alegou que eu não paguei a conta e que eu teria que pagar de qualquer forma ou não sairia de lá", disse. “Lugar bem pesado e os atendentes meio duvidosos... Enfim, não volto mais”, escreveu Alice.

Apesar da afirmação de não retornar ao estabelecimento, Alice voltou em 23 de outubro, dia que foi seguida por dois dos funcionários após deixar o local supostamente sem pagar a conta de R$ 22,00. Ela foi agredida e acabou morrendo 18 dias depois, devido a complicações dos ferimentos. Alice teve costelas quebradas e o intestino perfurado.

Na sexta-feira (14), a Polícia Civil de Minas Gerais divulgou que os dois suspeitos já foram identificados e que medidas cautelares foram tomadas, mas afirmou que as investigações seguem em sigilo. A pastelaria Rei do Pastel se manifestou por meio de nota após a divulgação da PCMG.

"Desde o início das investigações, nos colocamos à disposição das autoridades competentes, auxiliando com todas as informações solicitados”, disse a empresa, que também lamentou a morte de Alice e reforçou a solidariedade aos familiares.

O estabelecimento também afirmou que não compactua com discriminação “referente a identidade de gênero, orientação sexual, raça ou qualquer outra natureza”.