Anac suspende metade das aeronaves fiscalizadas em voos panorâmicos no Rio
Agência anunciou a suspensão de nove aeronaves e quatro empresas, entre elas a VRP, responsável pelo voo que terminou com a queda e a morte de quatro pessoas na Vista Chinesa

A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) anunciou nesta terça-feira (18) a suspensão de quatro empresas e nove aeronaves que faziam voos panorâmicos na cidade do Rio de Janeiro. Entre as empresas está a VRP, responsável pelo voo que terminou com a queda e a morte de três colombianas e do piloto, no início do mês, na Vista Chinesa.
De acordo com a agência, após o acidente do dia 8 de agosto, a Anac intensificou a fiscalização dos voos panorâmicos no Rio e vistoriou nove empresas. Do total, quatro foram suspensas: VRP, Broad Fly, Nobre Turismo e Mr. Top Fly. Das 19 aeronaves fiscalizadas até agora, nove foram suspensas.
Segundo a Anac, para voltar a operar, as empresas precisarão apresentar um plano de ação corretiva e demonstrar à agência que os problemas encontrados foram solucionados. Entre as irregularidades apontadas estão falhas no registro de dados no diário de bordo e no registro de manutenção das aeronaves.
“Tudo isso tá sob investigação e a gente tá agindo cautelarmente. A Anac, ela tem diversos instrumentos que pode lançar mão, em determinados momentos. Um deles é a medida cautelar, que é o que a gente tá lançando mão agora, para garantir a segurança das operações.”
Segundo a Anac, o Brasil tem a segunda maior frota de helicópteros do mundo. Somente no Rio, 12 empresas operam 46 aeronaves em voos panorâmicos. Todas serão fiscalizadas.
Nesta terça-feira (18), o diretor-presidente da Anac, Tiago Chagas Faierstein, e o prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD), participaram de uma coletiva de imprensa para apresentar medidas conjuntas. O encontro foi solicitado por Cavaliere após os recentes acidentes aeronáuticos na cidade.
“O que nós fizemos foi colocar a prefeitura a disposição, deixar todo o time da prefeitura a disposição para aquilo que a gente pudesse apoiar a Anac”, disse Cavaliere.
De acordo com dados do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), a cidade do Rio de Janeiro contabilizou 13 mortes em acidentes com helicópteros em 2026, sendo 11 delas em menos de dois meses.
“Nós estamos observando registros de manutenção, procedimentos de segurança operacional, licenças de pilotos, a estrutura técnica da empresa, se a empresa tem aquela estrutura técnica constituída, se ela está regular dentro dos cadastros dentro da ANAC. Teve caso de empresa, por exemplo, que a gente verificou que ela fez uma mudança de local e não avisou a Anac que tinha mudado a sua base”, explicou o presidente da Anac sobre as fiscalizações em andamento.
A CNN tenta contato com as empresas citadas.
MPF sugere mudanças em voos panorâmicos no Rio
O MPF (Ministério Público Federal) pediu medidas de controle e segurança dos voos comerciais de helicópteros no Rio de Janeiro, na última quarta-feira (12).
A ação foi feita, de acordo com o MPF, contra a União, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e o município do Rio de Janeiro, em decorrência do acidente do último sábado (8), em que quatro pessoas morreram em uma queda de um helicóptero na região da Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista, zona Sul do Rio de Janeiro.
O MPF pede que o trânsito ordinário dos helicópteros destinados ao transporte remunerado de passageiros, inclusive voos panorâmicos, seja direcionado à Rota Especial de Helicópteros Praia (REH Praia), independentemente da modalidade de contratação do serviço.
Segundo a Anac, as sugestões serão discutidas pelos órgãos competentes.


