Baile da Disney: atração era promovida pelo TCP, diz polícia do Rio
Operação na Maré prendeu 25 suspeitos e revelou esquema que incluía tráfico, golpes, produtos roubados e movimentação financeira em eventos

A operação realizada pelas polícias Civil e Militar no Complexo da Maré, na zona Norte do Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (10), revelou detalhes sobre o chamado "Baile da Disney", apontado pelas investigações como uma das ferramentas utilizadas pelo crime organizado para movimentar recursos ilícitos e fortalecer a atuação da facção TCP (Terceiro Comando Puro) na região.
Ao todo, 25 pessoas foram presas durante a ação, que também resultou na recuperação de 49 veículos roubados e na apreensão de cinco fuzis, duas pistolas, drogas, dinheiro em espécie, 300 mudas de maconha e três celulares roubados. A ofensiva foi coordenada a partir de investigações conduzidas pela 21ª DP (Bonsucesso) e teve como objetivo cumprir 56 mandados de prisão e 42 de busca e apreensão.
Durante as diligências, os agentes localizaram uma série de estruturas utilizadas para atividades criminosas. Entre elas estavam uma fazenda de criptomoedas em funcionamento, uma central de golpes direcionados a idosos e pensionistas, um galpão com milhares de produtos roubados e um pequeno centro comercial que abrigava uma loja de celulares, estufa de maconha e laboratório de cocaína.
Facção atuava em diversas frentes criminosas
A investigação busca desarticular a estrutura do TCP, facção que atua em comunidades da Maré. De acordo com os policiais, o grupo explorava diferentes modalidades para financiar suas operações, ampliar seu domínio territorial e fortalecer sua influência na região.
As apurações indicam que, além do tráfico de drogas e do roubo de cargas, a organização estaria envolvida em crimes como lavagem de dinheiro, monopólio de serviços básicos, pornografia infantil e homicídios.
Baile era usado para movimentar dinheiro e mercadorias
Nesse contexto, o chamado "Baile da Disney", realizado na Vila do João, aparecia como um importante ponto de circulação financeira e comercial da facção.
De acordo com a Polícia Civil, o evento, que se tornou uma referência popular pela produção temática com decoração elaborada, shows pirotécnicos, atrações circenses e personagens infantis, foi identificado pelos investigadores como uma ampla plataforma de monetização do crime organizado. A corporação aponta que a estrutura servia não apenas para atrair público, mas também para fortalecer a influência da facção na comunidade.
Segundo os investigadores, o evento funcionava como espaço para movimentação de dinheiro através de venda de produtos, escoamento de mercadorias roubadas e promoção da imagem de lideranças criminosas. As investigações também identificaram a presença frequente de traficantes armados com fuzis durante os bailes.
Confrontos afetaram moradores e serviços públicos
A operação mobilizou todos os departamentos da Polícia Civil e equipes do COE (Comando de Operações Especiais) da Polícia Militar, incluindo unidades do Bope e do Choque. Além do apoio às ações de cumprimento de mandados, policiais militares realizaram a retirada de barricadas instaladas em diferentes pontos das comunidades.
A ação provocou intensos confrontos armados ao longo do dia. Vídeos gravados por moradores mostram momentos de troca de tiros na região. Em uma das imagens, passageiros deitados no chão da estação BRT Fiocruz, na Avenida Brasil, tentando se proteger dos tiros.
Os reflexos da operação também atingiram serviços públicos. Segundo informações dos órgãos, 44 escolas tiveram suas atividades impactadas e três unidades de Atenção Primária à Saúde suspenderam o atendimento durante a ação policial.


