Bebida, descanso no sofá e câmeras tapadas: veja conduta de PMs em operação

Atitudes foram flagradas por câmeras corporais de policiais do Bope durante ação na comunidade da Nova Holanda, no Complexo da Maré; dez agentes foram denunciados pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro

Vitor Bonets, colaboração para a CNN Brasil, Camille Barbosa, da CNN Brasil, em São Paulo e no Rio de Janeiro
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O MPRJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro) denunciou dez policiais militares do Bope (Batalhão de Operações Especiais) em razão de condutas durante uma operação na comunidade da Nova Holanda, no Complexo da Maré, em janeiro de 2025. A denúncia foi formalizada por crimes de invasão de domicílio, descumprimento de missão e desobediência.

Imagens obtidas pela CNN Brasil mostram algumas das condutas analisadas para que a medida fosse tomada. Nelas, um dos agentes é flagrado enquanto abre a geladeira de uma residência e pega uma bebida, enquanto outros estão sentados no sofá do local. Além disso, durante a operação, alguns policiais ainda taparam as câmeras corporais que utilizavam.

Veja abaixo:

Invasão com "chaves mestras"

As investigações mostraram que os policiais entraram em diversas residências sem autorização judicial e fora das hipóteses legais, muitas vezes sem a presença de moradores.

O cabo Rodrigo da Rocha Pita foi flagrado ao utilizar chaves do tipo "mixa" para abrir as portas dos imóveis. Em alguns dos casos, os agentes chegarama surpreender as pessoas que estavam dentro das casas.

Bebida na geladeira e descanso no sofá

Após a invasão, os PMs usaram espaços das casas para atividades consideradas como incompatíveis com suas funções durante o trabalho. Os relatórios das imagens identificaram os sargentos Douglas Nunes de Jesus e Carlos Alberto Britis Júnior, por exemplo, descansando em sofás de moradores.

Além disso, ainda foram constatadas outras irregularidades. Um policial, não identificado, foi flagrado pela própria câmera corporal ao se deslocar em direção a uma geladeira. Ao chegar na cozinha, ele abre o eletrodoméstico, observa o que há dentro e pega uma sacola de alimentos.

Em seguida, ele retira da parte de baixo da geladeira uma garrafa de bebida descrita na denúncia como sendo possivelmente de IKÓ ou Guaraviton. Na gravação, ainda é possível ouvir ele dizer: "Todo mundo assistindo televisão bonitinho". Veja momento abaixo:

O mesmo policial obstruiu a lente da câmera logo após o incidente na cozinha.

Em outra residência, um agente é visto sem a parte de cima do fardamento. O relatório afirma que os Pms estavam "totalmente alheios ao serviço"m ao usarem o local para descansar em vez de cumprir a missão.

Outras obstruções das COPs

Segundo a denúncia, houve falhas graves no uso das Câmeras Operacionais Portáteis. Agentes como Rodrigo Rosa Araújo Costa e Diogo de Araújo Hernandes foram acusados de obstruir os equipamentos propositalmente, o que gerou gravações de "tela preta".

Para que isso acontecesse, os policias usram alguns métodos específicos:

  • Uso da bandoleira do fuzil como forma de tapar o colete; 
  • Reposicionamento da câmera para cima ou para o lado, o que evitava o registro do interior das casas ou açõs comprometedoras; 
  • Retirada do colete ou deixá-lo virado para regiões que impeçam a visão.

Danos e vasculhamentos

As câmeras corporais ainda registraram ações dos PMs dentro das casas que envovleram danos e vasculhamento dos imóveis. As imagens analisadas mostraram objetos sendo revirados e até mesmo jogados no chão durante as ações.

Dez policiais militares são denunciados por invasão de domicílio no RJ

Em um dos momentos, os policiais entraram em um quarto onde uma pessoa dormia e continuaram a vasculhar o local mesmo com a presença do morador na cama. Carteiras e mochilas de outras pessoas também foram vistoriadas.

Além dos PMs já citados, foram denunciados o sargento Bruno Martins Santiago, o tenente Felippe Martins e o cabo Diego Ferreira Ramos Martins. Em nota, a Polícia Militar informou que a Corregedoria-Geral instaurou inquérito para apurar as condutas e encaminhou o relatório à Auditoria de Justiça Militar.

Veja posicionamento abaixo:

"A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que a Corregedoria-Geral da Corporação, assim que tomou conhecimento do possível desvio de conduta envolvendo policiais, ocorrido em janeiro do ano passado, instaurou o procedimento apuratório cabível. Após a conclusão das investigações, o relatório foi encaminhado à Auditoria de Justiça Militar.

Ao agir dessa forma, o comando da Corporação reafirma seu compromisso com a legalidade e a transparência, colocando-se à disposição do Ministério Público para colaborar integralmente com as investigações em andamento. Ressalta, ainda, que não compactua com quaisquer desvios de conduta por parte de seus integrantes, adotando medidas rigorosas sempre que os fatos são comprovados."