Caso Henry Borel: defesa e acusação batem boca durante julgamento no Rio
Mãe e padrasto de menino morto aos quatro anos começaram a ser julgados na manhã desta segunda-feira (25)
Durante o julgamento que apura o homicídio triplamente qualificado do menino Henry Borel, a defesa do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, chegou a discutir com o promotor Fábio Vieira, nesta segunda-feira (25).
Na sessão, o promotor afirmou que a defesa de Jairinho estaria usando uma “técnica” para cansar e confundir o júri. Segundo ele, a ação já teria sido comentada pelo advogado nas redes sociais.
A declaração, feita durante o pedido de nulidade de provas do caso, provocou reação imediata do advogado, que interrompeu as falas do promotor e pediu "ordem durante a sessão".
Tentativa de adiamento e reação do MP
No início da sessão, Jairinho alegou que seria “impossível” ser julgado devido ao estado de saúde de seu advogado principal, Fabiano Lopes, que sofreu um infarto recentemente.
O réu afirmou que não teve tempo hábil para alinhar estratégias com os demais membros da banca e pediu o adiamento do júri. Em resposta, o promotor do caso classificou a atitude como uma tentativa de "não querer encarar a realidade" e ressaltou que a defesa acompanha o processo há anos.
Caso Henry Borel: saiba o que a acusação pede contra padrasto e mãe
Diante da possibilidade de suspensão, o MP pediu que Jairinho fosse retirado de Bangu 8, unidade destinada a presos com curso superior e perfil midiático, e enviado para Bangu 1, local de isolamento para lideranças criminosas e detentos de alta periculosidade.
No entanto, ao saber do posicionamento do MP, o ex-vereador voltou atrás na decisão de destituir sua equipe de defesa.
Acusações e contexto do crime
Jairinho e a ex-mulher, Monique Medeiros, são julgados pela morte de Henry Borel, de 4 anos, ocorrida em março de 2021. Ambos respondem por homicídio triplamente qualificado, tortura, coação no curso do processo e fraude processual.
Segundo o laudo do IML, a criança sofreu 23 lesões e morreu por hemorragia interna provocada por ação contundente, descartando a versão inicial de acidente doméstico apresentada pelos réus.
As investigações da Polícia Civil concluíram que Henry era submetido a uma rotina de agressões e torturas praticadas por Dr. Jairinho.
Além disso, de acordo com o inquérito, Monique Medeiros tinha conhecimento das violências. Ela teria sido alertada pela babá do menino pelo menos um mês antes do óbito, mas consentiu com a situação.


