Cerca de 80 corpos já passaram por necropsia após megaoperação no Rio
Corpos foram levados, exclusivamente, para IML localizado no centro da capital fluminense; famílias estão sendo auxiliadas pela Defensoria Pública do estado
O IML (Instituto Médico Legal) do Rio de Janeiro segue em esquema especial, nesta quinta-feira (30), após a megaoperação policial realizada nos Complexos do Alemão e da Penha, zona norte da capital, na terça-feira (28). Segundo o órgão, cerca de 80 corpos passaram por necropsia.
Os corpos dos mortos após a megaoperação contra o CV (Comando Vermelho) no Rio foram levados, exclusivamente, para o IML (Instituto Médico-Legal) Afrânio Peixoto, localizado na região Central da capital fluminense. Segundo a polícia, as necropsias dos casos que não têm relação com a operação serão feitas no IML de Niterói.
Segundo a PCERJ (Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro), o número de mortos chegou a 121, incluindo quatro agentes de segurança.
Força-tarefa em atendimento
A DPRJ (Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro) informou que montou uma força-tarefa para atender as famílias dos mortos na operação. Só no primeiro dia, 106 familiares foram atendidos no IML e em outros pontos, como o Detran, o Complexo da Penha e o Hospital Getúlio Vargas.
As equipes ofereceram acolhimento, orientação jurídica, apoio na emissão de documentos, auxílio para sepultamento gratuito e traslado de corpos para outros estados.
A DPRJ também pediu à Polícia Militar as imagens das câmeras corporais e a identificação dos agentes que participaram da ação. O NUDEDH (Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos) acompanha as investigações e reforça o compromisso com a transparência e o apoio às famílias.
MPF pediu rigor em perícias
O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro quer receber informações sobre as perícias para identificação dos mais de 100 mortos na megaoperação. O ofício enviado nesta quarta-feira (29) solicita ao diretor do Instituto Médico Legal (IML) do Rio de Janeiro, André Luís dos Santos Medeiros, que a resposta seja apresentada em 48 horas, “dada a urgência do tema”.
O ofício do MPF elenca oito itens mínimos a serem cumpridos pelo IML fluminense nos protocolos adotados para identificação dos corpos:
- Descrição completa das lesões externas;
- Descrição completa das lesões internas;
- Identificação dos projéteis nos corpos e extração para encaminhamento pericial;
- Exame radiográfico dos polibaleados;
- Croqui com lesão dos corpos;
- Fotografia de todas as lesões encontradas nos cadáveres;
- Fotografia das características individualizantes; e
- Item de discussão contendo trajetória dos projetis e distância dos disparos.
O que sabemos sobre operação
A Operação Contenção se tornou a mais letal da história do estado do Rio de Janeiro. O dia da operação foi marcado por intensos tiroteios, com drones policiais registrando criminosos fortemente armados fugindo em fila indiana pela mata da Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha.
Além dos mortos, 10 menores foram apreendidos e putras 113 pessoas foram presas, incluindo Thiago do Nascimento Mendes, conhecido como Belão, que é apontado como o operador financeiro do CV no Complexo da Penha e braço direito do chefe do Comando Vermelho, Edgar Alves de Andrade, vulgo "Doca" ou "Urso".
A ação, que mobilizou cerca de 2.500 agentes das forças estaduais de segurança, foi resultado de mais de um ano de investigação conduzida pela DRE (Delegacia de Repressão a Entorpecentes).
Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SESP) e o Governo do Estado, o objetivo principal era combater a expansão territorial do Comando Vermelho (CV) e cumprir 100 mandados de prisão contra integrantes e lideranças criminosas do CV.
Entre os alvos, 30 seriam membros da facção oriundos de outros estados, com destaque para o Pará, que estariam escondidos nessas comunidades.


