Esquema de tráfico com PMs e Comando Vermelho é alvo de operação no RJ

Esquema de tráfico de drogas e de armas tem suspeita de participação de policiais militares associados à facção carioca; três pessoas foram presas durante a ação

Vitor Bonets, colaboração para a CNN Brasil, Roberta Camargo, da CNN Brasil, em São Paulo e no Rio de Janeiro

A Polícia Civil do Rio de Janeiro realiza, na manhã desta terça-feira (13), uma operação contra um esquema de tráfico de drogas e de armas com a suspeita de participação de policiais militares associados ao CV (Comando Vermelho). Três pessoas foram presas durante a ação.

As investigações tiveram início em outubro de 2023, quando policiais civis prenderam em flagrante o então policial militar da ativa Yuri Luiz Desiderati Ribeiro e Marcos Leandro de Oliveira Serra, conhecido como “Kiko”, durante o transporte de uma carga de mais de 100 quilos de cocaína na Avenida Brasil.

As drogas e armas do CV

Segundo os elementos reunidos pelas apurações, os envolvidos integravam uma estrutura criminosa responsável pela aquisição, transporte e distribuição de grandes quantidades de drogas e armas destinados à facção Comando Vermelho, com divisão de tarefas e atuação coordenada entre os integrantes.

Nesse contexto, as investigações apontaram que “Kiko” tinha papel relevante na articulação logística do tráfico de drogas, ao manter contato direto com lideranças do Comando Vermelho para viabilizar o transporte e o abastecimento de entorpecentes em áreas dominadas pela facção criminosa.

As análises de dados telemáticos e as interceptações telefônicas evidenciaram uma interlocução com Manoel Cinquine Pereira, vulgo “Paulista”, apontando atuação como elo entre diferentes integrantes da estrutura responsável pela distribuição de drogas.

A investigação também apontou a atuação de “Paulista”, um dos líderes do CV no Complexo da Penha, com participação na articulação de atividades relacionadas à aquisição e distribuição de drogas e armamentos, além da coordenação de integrantes responsáveis pelo abastecimento da facção criminosa.

O envolvimento dos PMs

As investigações revelaram a participação de policiais militares que teriam usado da condição de agentes de segurança pública a serviço do crime. Eles atuariam ao lado do CV, inclusive com o fornecimento de informações privilegiadas e o envolvimento em negociações clandestinas de armamentos e munições.

Entre os denunciados está o policial militar Eric da Silva Lobato, apontado como participante de um esquema de comércio ilegal de armas de fogo, munições e acessórios.

Luciano Santos de Oliveira, conhecido como “Hot Wheels”, apontado como liderança do tráfico de drogas em diversas comunidades de São João de Meriti, também foi identificado.

Segundo os elementos reunidos, o investigado tinha vínculos com integrantes da organização e recebia informações privilegiadas sobre operações policiais, repassadas pelo policial militar Yuri Luiz Desiderati Ribeiro. Conforme apurado pela polícia, ele teria usado a condição funcional para favorecer as atividades do Comando Vermelho.

Considerado como um dos princiapis investigados, Yuri Luiz foi assassinado em 12 de julho de 2026, no bairro do Pechincha, em Jacarepaguá, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. Ele foi atingido por diversos disparos de arma de fogo quando chegava ao condomínio onde morava. O homicídio é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital.

Outros três denunciados, Paulo Victor Soares de Melo, Leonardo Aguiar da Silva e Kauan Soares Omero, conhecido como “Do Serrão”, foram identificados como integrantes do braço armado do CV.

De acordo com as investigações, eles exerciam funções relacionadas à segurança de lideranças do tráfico e à vigilância territorial, mediante o emprego de armas de fogo, contribuindo para a manutenção do domínio criminoso nas áreas de atuação do Comando Vermelho.

A CNN Brasil tenta localizar a defesa dos investigados. O espaço está aberto para manifestações.

(Em atualização)