Ex-subsecretário da Seap é alvo de operação por dossiês falsos no RJ

Ação da Draco apura suposto envolvimento de policiais penais em documentos fraudulentos contra autoridades

Camille Couto, da CNN Brasil, no Rio de Janeiro
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O ex-subsecretário adjunto de Gestão Operacional da Seap (Secretaria de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro), Moysés Henriques Marques, foi alvo de uma operação da Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas), nesta quinta-feira (23), por suspeita de produzir e disseminar um dossiê falso contra autoridades estaduais.

Durante a operação, os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão na residência do ex-subsecretário, localizada no bairro Rio Comprido, na zona Norte do Rio, e apreenderam celulares e computadores.

As investigações indicam que o suspeito teria produzido documentos falsos para atacar autoridades do governo estadual, incluindo parlamentares da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio) e membros do Judiciário. Segundo a Polícia Civil, ele é suspeito de injúria, difamação e obstrução de Justiça.

De acordo com os investigadores, o material foi criado com o objetivo de acusar o governo de realizar escutas ilegais por meio da Subsecretaria de Inteligência da Seap, numa tentativa de gerar atrito entre o Executivo e o Legislativo. A apuração começou após rastreamento de fragmentos de mensagens apagadas em um celular corporativo utilizado pelo ex-subsecretário.

Moysés Marques ocupou o cargo de subsecretário adjunto da Seap em 2020 e já havia sido alvo da Operação Hiperfagia, conduzida pelo MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro), que investigou fraudes em licitações e superfaturamento de até R$ 350 milhões em contratos de alimentação para o sistema prisional. Outro policial penal envolvido, Márcio Rocha, também investigado por lavagem de dinheiro, recebeu multa de R$ 102 milhões.

Em nota, a Seap afirmou repudiar qualquer tentativa de manipulação de informações ou desestabilização institucional, reforçando o compromisso com a legalidade, ética e transparência na administração do sistema prisional.

Atualmente, o policial penal responde a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e a duas sindicâncias internas, sendo a mais recente por tentativa de coação a servidores com o intuito de obter documentos e registros internos para embasar denúncias infundadas contra a atual gestão.

A CNN Brasil tenta contato com a defesa de Moysés.