Henry Borel: juíza acusa advogada de espiar anotações do júri
Magistrada interrompeu sessão após suspeita de que mulher observava anotações dos jurados
O quarto dia do julgamento da morte do menino Henry Borel foi marcado por um desentendimento no II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (28).
Segundo apuração da CNN Brasil no local, a juíza Elizabeth Machado Louro interrompeu a sessão após suspeitar que uma advogada que acompanhava o julgamento estaria observando anotações feitas pelos jurados.
A magistrada elevou o tom e mandou a mulher deixar o plenário imediatamente. Durante a discussão, afirmou que se sentiu desrespeitada pela “tal advogada”. A advogada é Selma Elizabeth Blum.
Durante a confusão, integrantes da acusação afirmaram que haveria advogados da defesa do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior próximos ao júri.
Após o episódio, a juíza determinou a retirada da advogada e pediu a identificação formal dela.
Segundo relatos acompanhados pela CNN Brasil, houve gritaria e vaias na plateia durante a interrupção da sessão. Em meio à confusão, a magistrada afirmou: “A gente parece que não está no meio de gente, está no meio de bicho”, e ressaltou que a proibição de manifestações no plenário
A advogada negou qualquer irregularidade. Ela afirmou que não possui ligação com nenhuma das bancas do julgamento e disse que suas anotações poderiam ser verificadas. Segundo Selma, ela tirou recentemente a carteira da OAB e não estava “bisbilhotando” informações do júri.
Não há comprovação de que a advogada estivesse atuando como infiltrada ou tentando acessar informações sigilosas dos jurados.
Contexto do julgamento e acusações
Dr. Jairinho e Monique Medeiros são réus por homicídio triplamente qualificado, tortura, coação no curso do processo e fraude processual. Henry Borel, de 4 anos, morreu após sofrer 23 lesões no apartamento onde vivia com o casal na Barra da Tijuca.
Caso Henry Borel: veja quem são algumas das testemunhas em julgamento
A perícia do Instituto Médico-Legal (IML) apontou como causa do óbito hemorragia interna e laceração hepática por ação contundente.
A acusação sustenta que o ex-médico foi o autor das agressões, enquanto a mãe teria sido omissa ao ter conhecimento de violências anteriores praticadas contra o filho.
As defesas negam os crimes: os advogados de Jairinho defendem a tese de morte acidental, enquanto a defesa de Monique afirma que ela vivia um relacionamento abusivo e desconhecia as agressões ao menino.
Andamento do processo no Rio de Janeiro
O julgamento é presidido pela juíza Elizabeth Machado Louro e conta com um Conselho de Sentença formado por sete jurados.
A estimativa da promotoria é que a sessão se estenda por um período de sete a dez dias devido à complexidade das acusações e ao número de testemunhas arroladas.
Em caso de condenação com pena superior a 15 anos, a Justiça pode determinar a prisão imediata dos réus ainda no tribunal.


