IML no Centro do Rio vai concentrar necrópsias de mortos em megaoperação
Segundo a polícia, as necropsias dos casos que não têm relação com a operação serão feitas no IML de Niterói; governo aponta que ação deixou 119 mortos
Os corpos dos mortos após a megaoperação contra o CV (Comando Vermelho) no Rio de Janeiro serão levados, exclusivamente, para o IML (Instituto Médico-Legal) Afrânio Peixoto, localizado na região Central da capital fluminense.
Segundo a polícia, as necropsias dos casos que não têm relação com a operação serão feitas no IML de Niterói.
Segundo o Detran-RJ (Departamento Estadual de Trânsito), foi disponibilizado o posto localizado ao lado do instituto, que vai ser usado para o acolhimento e atendimento às famílias que perderam algum ente durante a operação. Em nota, o Detran apontou que "os serviços prestados pelo órgão no local não serão impactados".
A PCERJ (Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro) afirma que o acesso ao IML Afrânio Peixoto será restrito à corporação e ao Ministério Público.
Em razão da operação, o MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) decidiu enviar técnicos periciais ao IML (Instituto Médico-Legal) para a realização de perícia independente nos corpos.
O que sabemos sobre operação
Na manhã desta quarta, a Defensoria Pública do Rio afirmou que a ação das forças de segurança do Rio de Janeiro nos Complexos da Penha e do Alemão deixou ao menos 130 mortos. No entanto, em entrevista coletiva no início da tarde, um balanço do governo do estado apontou que a megaoperação deixou 119 mortos (58 no dia da operação e outros 61 corpos encontrados na mata).
A ação, que mobilizou cerca de 2.500 agentes das forças estaduais de segurança, foi resultado de mais de um ano de investigação conduzida pela DRE (Delegacia de Repressão a Entorpecentes).
Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SESP) e o Governo do Estado, o objetivo principal era combater a expansão territorial do Comando Vermelho (CV) e cumprir 100 mandados de prisão contra integrantes e lideranças criminosas do CV.
Entre os alvos, 30 seriam membros da facção oriundos de outros estados, com destaque para o Pará, que estariam escondidos nessas comunidades.
Operação mais letal da história
A Operação Contenção se tornou a mais letal da história do estado do Rio de Janeiro. O dia da operação foi marcado por intensos tiroteios, com drones policiais registrando criminosos fortemente armados fugindo em fila indiana pela mata da Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha.
Além dos mortos, 10 menores foram apreendidos e putras 113 pessoas foram presas, incluindo Thiago do Nascimento Mendes, conhecido como Belão, que é apontado como o operador financeiro do CV no Complexo da Penha e braço direito do chefe do Comando Vermelho, Edgar Alves de Andrade, vulgo "Doca" ou "Urso".


